Crise nos EUA já afeta perspectiva de industriais para 2008, diz FGV
YGOR SALLES
da Folha Online
As perspectivas de faturamento, investimento e contratações das empresas industriais para 2008 seguem uma tendência de alta vista nos últimos dois anos, mas já foi afetada pela crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") nos Estados Unidos. Esta é uma das principais conclusões da FGV (Fundação Getúlio Vargas) para a Sondagem da Indústria da Transformação - Quesitos Especiais, apresentada nesta quinta-feira.
"De um mês para cá aprofundou-se a percepção de que há risco de desaceleração na economia", disse Aloísio Campelo Júnior, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV. "Os Estados Unidos e seus principais parceiros, como México ou a Europa Ocidental, já perceberam que há uma redução nos ativos e do consumo, além do arrefecimento da confiança dos consumidores."
A sondagem apontou que 75% das empresas pretendem ampliar o faturamento, 53% querem investir mais e 46% prevêem contratar mais pessoas no próximo ano. O índice é superior ao visto nas perspectivas para 2007 (71% mais faturamento, 39% mais investimentos e 40% mais contratações), e fica próximo ao observado nas perspectivas para 2005.
O que mantém as perspectivas para 2008 em alta, segundo Campelo, é a maior solidez dos fundamentos macroeconômicos do Brasil e a menor importância da economia norte-americana para o mundo. Estes fatores, disse o pesquisador, fazem o resultado da sondagem ser compatível com as expectativas.
"Há uma atenuação por conta de China e Índia. No Brasil, há ainda o crescimento do mercado interno, e o país ficou mais seguro do que nos anos anteriores", explicou. "Mas não dá para ficar imune [a uma desaceleração da economia dos EUA]."
Setores
Entre os 21 setores da indústria observados na sondagem, os de material de transporte e mecânica mostraram um otimismo que se destaca ante os demais. Os dois puxaram para cima os índices de faturamento, investimento e contratação.
Para Campelo, os dois setores são exemplos de quem se aproveita bem das novas condições econômicas do país. O primeiro pelo aumento do consumo interno, e o segundo diretamente ligado aos investimentos das demais empresas.
"Já o efeito câmbio ainda faz alguns setores não serem tão otimistas", ressalta. Neste grupo --que perde espaço tanto no exterior como dentro do país devido à concorrência de outros países-- aparecem setores como os de produtos farmacêuticos e materiais elétricos.
O pesquisador ainda comemorou a melhora de perspectivas de setores que no início do ano estavam muito pessimistas, como os de têxteis e calçados. "A demanda interna fez com que eles se recuperassem", disse.
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