Petróleo causa euforia em cidade paraibana
CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha
Um relógio no site da Prefeitura de Sousa, no sertão paraibano, cronometrou a ansiedade da população para a 9ª Rodada de Licitações de áreas para exploração de gás e petróleo da ANP (Agência Nacional do Petróleo), que ocorre hoje.
Pela primeira vez, a Paraíba terá blocos exclusivos de petróleo para serem explorados. São 19 blocos terrestres de 613,4 km quadrados que, segundo o governo local, vão mudar o Estado.
Colocado há um mês no site, o relógio indicou quantos dias horas, minutos e segundos faltavam para o dia de hoje.
"O petróleo fará Sousa saltar do terceiro para o primeiro mundo, sem escala no segundo", disse o prefeito Salomão Gadelha (PMDB).
De acordo com estudo elaborado pela Secretaria Municipal de Planejamento e a Federação das Indústrias da Paraíba, a bacia do rio do Peixe (cerca de 90% no território de Sousa) deve render em média de 20 mil barris de petróleo por dia e cerca de R$ 34 milhões diários, o que deve aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) do Estado em 10%. Segundo a ANP, a bacia é a principal novidade da rodada.
"O impacto no PIB [R$ 16 bilhões] será quase três vezes maior que o Bolsa Família teve na economia paraibana [cerca de 3,5%]", disse Gadelha.
De acordo com o prefeito, o orçamento da cidade está em R$ 50 milhões e com o petróleo chegará a R$ 150 milhões.
"Repare na ansiedade que estamos. A prefeitura gasta hoje R$ 793 por habitante por ano. Com o petróleo, vai gastar R$ 2.380", afirmou.
O agricultor Crisogônio de Oliveira, 43, conhecido como "Gangão", conhecido por ter perfurado o primeiro poço de petróleo na região, há 25 anos, está mais entusiasmado com a descoberta. Na ocasião, "Gangão" ficou triste por encontrar óleo em vez de água.
"A terra dele está em um dos blocos para serem licitados. Se o poço dele render uns mil barris por dia, ele vai ter direito a 1% do lucro, que deve ficar em R$ 100 mil ao dia. Ou seja, ele vai ganhar por dia o que hoje ganha por mês: R$ 1.000", disse Gadelha.
Construção civil
Sousa tem hoje, segundo a prefeitura, 350 obras em andamento. Há dois prédios residenciais com 12 andares sendo construídos. Hoje, o mais alto tem dez andares.
"A paisagem do centro da cidade está bem diferente. Bem mais vertical", disse Dalton Pereira, gerente regional da Suplan (Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado).
Além disso, o mercado imobiliário da cidade está valorizado. "Antes, um hectare saía por R$ 3 mil. Hoje as pessoas não vendem nem por R$ 10 mil", disse Gadelha. O prefeito também relatou o aumento de empregos na cidade, mas teme "uma migração excessiva".
Dezessete empresas demonstraram interesse pelos blocos de Sousa.
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