9ª Rodada da ANP gera arrecadação recorde de R$ 2,109 bi
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) encerrou nesta terça-feira a 9ª Rodada de Licitações de áreas com potencial exploratório de petróleo e gás, que teve arrecadação recorde de R$ 2,109 bilhões. Inicialmente, o leilão ocorreria em duas etapas, na terça e na quarta-feira. O recorde de arrecadação pertencia até o momento à 7ª Rodada, ocorrida em 2005, que rendeu R$ 1,08 bilhão aos cofres públicos.
Dos 271 blocos ofertados, 117 foram arrematados --34 empresas levaram blocos. A entidade estima que o investimento mínimo na fase de exploração dos leiloados hoje chegue a R$ 6 bilhões.
O destaque da rodada foi a empresa OGX, do empresário Eike Batista, que ganhou 21 dos 25 que disputou. Os bônus de assinatura --valor proposto por cada bloco-- oferecido pela empresa somou R$ 1,567 bilhão.
A OGX pagou pelo bloco S-M-270, situado na Bacia de Santos, bônus de R$ 344,090 milhões. O valor é o maior já pago entre todas as rodada feitas até hoje. O recorde anterior era da italiana ENI, que pagara R$ 321 milhões na 8ª Rodada.
Se a OGX se destacou, a 9ª Rodada foi atípica para a Petrobras. A estatal arrematou 27 dos 56 blocos que disputou, em parcerias ou sozinha. O valor proposto pela empresa por estes blocos foi de R$ 296,5 milhões --a Vale do Rio Doce, que estreou nas rodadas, é parceira minoritária da petrolífera em nove deles.
Sobre o desempenho, o gerente executivo de Exploração e Produção da Petrobras, Francisco Nepomuceno, chegou a dizer que a empresa poderia mudar a estratégia para o segundo dia, que acabou não ocorrendo. Nepomuceno ressaltou que a Petrobras tinha um limite que levava em conta critérios técnicos e econômicos dos blocos avaliados e que não iria "jogar dinheiro fora".
Ao todo, foram oferecidas concessões de 271 blocos espalhados em nove bacias sedimentares (Campos, Espírito Santo, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Rio do Peixe e Santos).
O leilão não contou com os 41 blocos situados em águas profundas nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, na área do Pré-Sal --onde houve a recente descoberta do campo gigante de Tupi, na bacia de Santos. Elas foram retiradas por determinação do governo, que vai estudar um novo modelo de concessão para os blocos situados nesta região.
Essas áreas eram justamente as mais atrativas do leilão e que despertavam a maior disputa entre as grandes empresas do setor privado, como PG, Britsh Gas, Total, Exxon e Shell, que não apresentaram ofertas.
Balanço
A OGX obteve sete blocos na Bacia de Campos, cinco no Espírito Santo, cinco no Pará-Maranhão, e quatro na Bacia de Campos.
A Petrobras obteve nove blocos na Bacia de Santos, cinco na Bacia do Recôncavo, quatro na Bacia de Pará-Maranhão, três em Pernambuco-Paraíba, dois no Espírito Santo, dois em Parnaíba, um na Bacia de Campos e um da Bacia do Rio do Peixe.
A Companhia Vale do Rio Doce arrematou nove blocos, dos quais, quatro na bacia de Pará-Maranhão, três na Bacia de Santos e dois na Bacia do Parnaíba.
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