Dinheiro
27/11/2007 - 18h48

BRA entrega à Justiça pedido de recuperação judicial

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da Folha Online

A BRA, que no último dia 6 suspendeu todos os seus vôos por problemas financeiros, entrou nesta terça-feira (27) com pedido de recuperação judicial, mecanismo que substituiu a antiga concordata. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o documento foi entregue pela manhã e será distribuído pela 1ª vara de Falências e Recuperações Judiciais.

Procurada pela Folha Online, a assessoria da BRA informou que não há ninguém na empresa disponível para falar sobre o tema. A assessoria do Tribunal de Justiça, por sua vez, explicou que o conteúdo do documento estaria disponível apenas na quarta-feira.

A BRA é a terceira empresa brasileira a entrar com pedido de recuperação judicial --antes vieram Varig e Vasp.

Dias após a suspensão de seus vôos, a BRA firmou um acordo, intermediado pela (Agência Nacional de Aviação Civil), de fretamento com a OceanAir para atender quem tinha pacotes comprados junto à operadora PNX. Além da Ocean Air, TAM, Gol, Varig e WebJet assumiram o compromisso de endossar os bilhetes, de acordo com disponibilidade de assentos.

A dívida da BRA é estimada em US$ 100 milhões, segundo analistas de mercado. Por outro lado, os ativos não passam dos R$ 10 milhões.

Os indícios de crise na BRA, empresa aérea fundada em 1999, eram recentes. O primeiro problema veio à tona quando o acordo de compartilhamento de assentos com a OceanAir, que começou a valer em 18 de junho, foi cancelado três meses depois.

Antes disso, problemas internos atrapalhavam a companhia. Apesar de em dezembro do ano passado a administração da BRA ter ido para um grupo de investidores chamado Brazil Air Partners (participação de 20%), o controle societário e de gestão continuou com os fundadores da companhia, os irmãos Humberto (que pediu afastamento pouco antes da suspensão dos serviços) e Walter Folegatti.

Entre os sócios da Brazil Air Partners estão o Bank of America, a Goldman Sachs & Co. e a Gávea Investimentos --quando entraram, eles fizeram um aporte de R$ 180 milhões na companhia aérea.

A entrada dos fundos foi divulgada, à época, como o início de uma gestão profissional. Consultores foram contratados pelos novos investidores, mas tiveram dificuldade em conseguir informações e fazer mudanças na empresa por causa da resistência do ex-presidente Humberto Folegatti.

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