Ministro diz que adiamento da política industrial não prejudicará setor
RENATA GIRALDI
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de adiar o envio do texto da política industrial não trará prejuízos para o setor, segundo o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento). De acordo com o presidente, o projeto deverá ser anunciado em duas semanas, mas não marcou data exata para isso ocorrer.
O ministro afirmou que a ordem de Lula é para concentrar as atenções na aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) em tramitação no Senado.
"Na política industrial, o efeito dela não é imediato. Não se esvai em 24, 48 horas ou em uma semana. É uma política permanente, perene e que ultrapassa o mandato do presidente. Foi feita numa discussão muito ampla para que ela pudesse ousar", afirmou o ministro, após reunião do CDES (Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social), o conselhão, no Palácio do Planalto.
Nesta quarta-feira Miguel Jorge vai apresentar ao presidente Lula a proposta completa da política industrial. Fazendo sigilo sobre os detalhes do projeto, ele disse que aguarda que o Congresso possa receber a proposta ainda este ano.
"É um trabalho importante de em sete meses junto com o BNDES, BNDI e o Ministério de Indústria e Comércio e depois nós apresentarmos um documento, que é bastante completo", afirmou o ministro.
Na reunião do conselho, Lula reiterou sua confiança na indústria nacional. Segundo ele, há lugar para os brasileiros avançarem: "O Brasil tem espaço para disputar neste mundo globalizado. [Alguns desses espaços] estão ao lado da China e da Índia".
De acordo com Lula, uma das preocupações atuais do governo é com a possibilidade de faltar alguns produtos no mercado nacional. Ele citou como exemplo a questão do cimento. Mas avisou que o assunto já foi encaminhado para o setor do governo responsável pela área.
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