Dinheiro
28/11/2007 - 09h52

Desemprego em SP tem menor taxa desde outubro de 96, aponta Dieese

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

Após três meses de estabilidade, o desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 14,4% em outubro, segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada nesta quarta-feira.

Trata-se de uma queda de 4,6% sobre setembro, quando a taxa havia ficado em 15,1%. O recorde anterior para meses de outubro era de 1996, quando o índice de desemprego foi de 14,8%.

Já a taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do país --Belo Horizonte, Distrito. Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo-- registrou queda para 15% em outubro, ante taxa de 15,5% em setembro, segundo os mesmos dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego).

No mês passado, o contingente de desempregados nas seis regiões foi estimado em 2,945 milhões de pessoas, 62 mil a menos que em setembro. As ocupações geradas (224 mil) foram em quantidade suficiente para absorver a entrada de pessoas no mercado de trabalho (161 mil).

Já o número de ocupados nas seis regiões foi calculado em 16,644 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa) em cerca de 19,589 milhões.

Com exceção de Belo Horizonte, onde o desemprego subiu 0,9%, para 11,5%, as demais regiões anotaram recuo. No Distrito Federal caiu 1,2%, para 17,1%; em Porto Alegre caiu 3,1%, para 12,4%; em Recife recuou 2,1%, para 18,8%; e, Salvador caiu 0,9%, ficando em 21,5%, além de São Paulo, que caiu 4,6%, para os 14,4%.

Segundo Patrícia Lino Costa, técnica do Dieese, o desempenho de Recife foi uma resposta aos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A taxa de desemprego na região é a menor da série histórica, iniciada há nove anos na capital pernambucana.

"O crescimento da ocupação na região metropolitana de Recife cresce pelo terceiro mês consecutivo e a taxa de desemprego cai pelo quinto mês. Isso ocorre com investimentos em um estaleiro, uma refinaria e no pólo de poliéster", explica a economista.

São Paulo

No mês passado, o contingente de desempregados foi estimado em 1,482 milhão de pessoas em São Paulo --58 mil a mais do que em setembro.

O nível de ocupação (8,812 milhões) em São Paulo em outubro cresceu 1,7% em relação ao mês anterior (8,661 milhões). De acordo com a entidade, a taxa de desemprego caiu em São paulo devido ao crescimento de 1,7% da ocupação, o que correspondeu a 151 mil novas ocupações.

"Até então, a queda da taxa de desemprego ocorria mais pela saída de pessoas do mercado de trabalho do que pelo surgimento de novas vagas. Em outubro, o aumento de 1,7% da ocupação, com 150 mil novos postos foi suficiente para absorver as 93 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho", disse o coordenador técnico da equipe de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian.

Por setor, houve crescimento de 7,4% na categoria Outros Setores, que inclui a construção civil e os serviços domésticos; de 1,6% em Serviços e 0,7% na indústria. Segundo o Dieese, o Comércio "manteve-se relativamente estável pelo segundo mês consecutivo, com queda de 0,2%".

"A indústria fez uma 'parada técnica', para avaliar o desempenho da economia. Mas o emprego já vinha crescendo no setor e os pedidos à indústria para o final do ano já estão feitos. O comércio, sim, tem um comportamento atípico. Em pleno outubro, está estável. Há sete meses está parado ou reduz o emprego. Esperamos que em novembro e dezembro volte a ampliar as contratações", disse Loloian.

Renda em alta

Em São Paulo, o rendimento médio real dos ocupados e assalariados avançou entre agosto e setembro. A renda dos ocupados subiu 2,7%, para R$ 1.140, e a dos assalariados, 2,9%, para R$ 1.207 mil. Em relação ao ano passado, os rendimentos médios reais de ocupados e assalariados recuaram 4,6% e 4,2%, respectivamente.

Já no conjunto das seis regiões, entre agosto e setembro deste ano, o rendimento médio real dos ocupados e o dos assalariados registrou alta de 1,1% e 1,4%, respectivamente. Em valores monetários, os rendimentos passaram a R$ 1.061 e R$ 1.140.

IBGE

Na semana passada, o IBGE divulgou que em outubro a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país --o órgão inclui o Rio de Janeiro e exclui Distrito Federal-- ficou em 8,7%, registrando uma variação negativa de 0,3% em relação a setembro --considerada como estabilidade pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que iniciou o levantamento em março de 2002.

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