Citigroup recebe oferta de compra feita pelo Bank of America, diz jornal
da Folha Online
O grupo financeiro americano Citigroup --que vem tendo de lidar com perdas ligadas à crise das hipotecas de risco-- recebeu uma oferta de compra feita pelo rival Bank of America, maior banco dos Estados Unidos, segundo reportagem desta quarta-feira do diário financeiro americano "The Wall Street Journal".
Segundo uma fonte ouvida pelo jornal, a diretoria do Citigroup disse que desconsiderou a aproximação informal e que não houve nenhuma discussão ligada a esse assunto. Uma transação como esse não tem lugar em um momento de troca na liderança da empresa, disse a fonte ouvida pelo "WSJ".
O Bank of America também informou não ter autorizado nenhuma aproximação do Citi, diz o texto. O Citigroup também não fez nenhum comentário sobre os rumores, informou o jornal.
O Bank of America tem sido um dois mais ativos na compra de outras instituições financeiras. Em 2003, adquiriu o FleetBoston Financial; e no ano passado, comprou a emissora americana de cartões de crédito MBNA, a US Trust (empresa de gerenciamento de riquezas, subsidiária do grupo de serviços financeiro Charles Schwab) e o LaSalle (divisão americana do banco holandês ABN Amro).
Outra fonte ouvida pelo "WSJ" disse que o Citi já havia sido abordado pelo Bank of America meses atrás. O rumor também foi negado, por um porta-voz do banco, que afirmou que o Bank of America não autorizou nenhum responsável por sua área de investimentos a abordar outra companhia nos últimos seis meses.
Segundo a consultoria Economática, o Citigroup agora vale US$ 163,9 bilhões, deixando o posto de maior banco dos Estados Unidos para o Bank of America --que tem valor de US$ 193 bilhões.
O grupo resultante da combinação entre os dois conglomerados financeiros controlariam cerca de 13% do total do setor bancário americano. Até 30 de junho, ambos os bancos tinham US$ 598,21 bilhões em depósitos de clientes, segundo o "WSJ".
O presidente e executivo-chefe do Citi, Charles Prince (conhecido como "Chuck" Prince), deixou o cargo neste mês devido à queda de 57% nos lucros da instituição no terceiro trimestre, causada pelas perdas com investimentos em títulos baseados em hipotecas de risco. O banco informou ainda que as perdas com títulos ligados a hipotecas de risco podem chegar a US$ 11 bilhões --contra uma estimativa inicial de US$ 5 bilhões.
A diretoria do banco ainda analisa nomes para ocupar o lugar de Prince. O cargo de presidente foi ocupado pelo ex-secretário do Tesouro Robert Rubin.
Ontem, o banco anunciou que irá receber US$ 7,5 bilhões da Adia (Autoridade de Investimentos de Abu Dhabi, na sigla em inglês), a divisão de investimentos do governo do emirado de Abu Dhabi (capital dos Emirados Árabes Unidos), em troca de uma participação de 4,9% no grupo.
A rede de televisão CNBC informou nesta segunda-feira (26) que o Citi planeja um corte "amplo" em seu quadro de funcionários. O Citi já havia feito um corte de 17 mil funcionários em abril.
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