Governo gasta menos de 30% do total previsto com obras do PPI
LÍSIA GUSMÃO
Colaboração para a Folha Online, em Brasília
O governo federal gastou 28,05% do total previsto para este ano com as obras do PPI (Programa Piloto de Investimentos), informou nesta quarta-feira o Tesouro Nacional.
O PPI é formado por obras de infra-estrutura consideradas prioritárias para garantir o crescimento da economia. Neste ano, estão previstos R$ 11,3 bilhões de investimentos nesse programa. No entanto, até outubro, foram gastos apenas R$ 3,17 bilhões.
"Há uma aceleração consistente dos investimentos desde o início do ano", rebateu o secretário do Tesouro, Arno Augustin. Ele argumenta que os gastos com investimentos (sem discriminar o destino) subiram 28% entre janeiro e outubro de 2007 na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em outubro, as despesas com o PPI somaram R$ 451,7 milhões --R$ 115,2 milhões a mais que em setembro.
No PPI, o governo pode abater do superávit primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros) os investimentos feitos em obras de infra-estrutura consideradas prioritárias até o limite de 0,45% do PIB (Produto Interno Bruto), o que daria R$ 11,3 bilhões.
Receita e despesas
Até outubro de 2007, a receita do Tesouro somou R$ 499,199 bilhões, cerca de R$ 56 bilhões superior a do mesmo período do ano passado.
O Tesouro atribui o aumento ao crescimento da massa salarial e do emprego formal --R$ 13,1 bilhões a mais de contribuição previdenciária em relação aos dez primeiros meses de 2006.
Já as despesas tiveram aumento de R$ 39 bilhões, por causa, sobretudo, dos R$ 9,9 bilhões gastos com a reestruturação das carreiras do funcionalismo público e dos R$ 14,4 bilhões com aumento no valor médio dos benefícios pagos.
Superávit
O governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) atingiu em outubro a meta de superávit -- esforço para o pagamento de juros-- para 2007. No acumulado do ano até outubro, o superávit atingiu R$ 61,657 bilhões no ano, o equivalente a 2,96% do PIB (Produto Interno Bruto). A meta para 2007 é de R$ 53 bilhões.
Em outubro, o superávit do governo central foi de R$ 10 bilhões. O resultado, segundo Arno Augustin, deve-se ao aumento da arrecadação e ao pagamento antecipado do 13º salário pela Previdência em setembro --o que reduziu em R$ 6,2 bilhões as despesas previdenciárias.
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