Operação prende 25 suspeitos de golpe de R$ 1 bi no Rio
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Após mais de um ano de investigação, o Ministério Público do Rio de Janeiro e as secretarias estaduais da Fazenda e da Segurança prenderam, nesta quarta-feira, 25 suspeitos de sonegação fiscal. A Operação Propina S.A. estima que o rombo causado pela ação coordenada por fiscais da Fazenda do Estado chegou a pelo menos R$ 1 bilhão.
Dos 31 mandados de prisão expedidos, 25 foram cumpridos. São dez fiscais, seis empresários, cinco contadores e quatro pessoas classificadas como envolvidas no esquema. Seis pessoas estão foragidas: um fiscal de renda, um empresário, um contador e outros três envolvidos no esquema.
A investigação envolveu 380 homens, entre policiais civis e militares e promotores de Justiça. As escutas telefônicas resultaram em 2.356 horas de gravações.
O fiscal Francisco Roberto da Cunha Gomes, conhecido como Chico Olho de Boi, é considerado o líder do esquema. O procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira, afirmou que ele vendeu uma mansão em Angra dos Reis para o traficante colombiano Ruan Carlos Abadía no valor de R$ 4 milhões.
Vieira, no entanto, disse que não há indícios do esquema com o traficante. Gomes foi preso na manhã de hoje quando tentava embarcar para Manaus (AM) e, segundo o Ministério Público, havia indícios de que o fiscal tinha conhecimento da operação.
Além de desviarem receita da arrecadação estadual, os fiscais da Fazenda do Rio de Janeiro envolvidos no esquema de corrupção prestavam uma espécie de serviço de consultoria a empresas interessadas em burlar o fisco do Estado.
Segundo Vieira, os fiscais davam instruções às empresas, indicando meios para sonegar impostos.
Durante o cumprimento dos mandatos de busca e apreensão, a polícia encontrou dinheiro com os suspeitos que podem somar R$ 1 milhão.
A contabilidade ainda está sendo feita no CIAC (Centro de Integração de Apuração Criminal), para onde foram levados os presos e o material apreendido. Somente com o fiscal José Meireles Leitão, foram encontrados R$ 289,5 mil.
Membros do Gaeco (Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado) e do Ministério Público paulista, com apoio de agentes da Receita Federal, apreenderam também nesta quarta-feira documentos e R$ 6 mil na sede da empresa International Boats.
A suspeita é que a empresa seja usada pelo fiscal Francisco Ribeiro da Cunha Gomes para lavagem de dinheiro.
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