Fundos de ações têm expansão recorde
FABRICIO VIEIRA
da Folha de S. Paulo
Os investidores brasileiros nunca se mostraram tão interessados no mercado acionário. Além do que demonstrou a procura recorde pelos papéis estreantes da Bovespa e da BM&F, os fundos de ações têm se expandido de forma acelerada neste ano, computando uma captação líquida anual superior a R$ 18 bilhões --cifra inédita para qualquer ano.
Essa maior procura fez com que os fundos de ações registrassem, em meados de novembro, a sua maior participação na indústria de fundos em 20 anos, superando os 11,4% do total de recursos aplicados no mercado doméstico.
O patrimônio líquido dos fundos de ações supera hoje inéditos R$ 125 bilhões, segundo a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).
A comparação com anos recentes aponta como a procura por ações tem se acelerado rapidamente. A participação dos fundos de ações no mercado total em 2000 estava em 7,28% e, em 2006, eles representavam 8,82% dos recursos totais.
O fato de a Bolsa de Valores de São Paulo atravessar seu quinto ano consecutivo de alta -este tem sido o de maior valorização desde 2003-, aliado ao processo de redução das taxas de juros no país, criou um clima propício à elevação da atratividade do mercado acionário.
"Tem muito de psicológico nessa maior procura pelo mercado acionário. Quem ficou de fora da Bolsa até o momento deve tomar cuidado, pois o mercado está perigoso, especialmente para o investidor leigo. São cinco anos seguidos de alta na Bolsa e em algum momento vai haver realizações de lucros mais fortes", afirma o administrador de investimentos Fábio Colombo.
O índice Ibovespa acumula valorização de 41,7% no ano. A renda fixa, principal aplicação que segue os juros, tem rentabilidade anual média de 11,2%. A caderneta de poupança rendeu até agora 7,10%.
A Bovespa engatou um ritmo de alta rápida e expressiva neste ano, sem que isso significasse a recuperação de perdas sofridas em sua história recente -como ocorreu em 2003, quando houve valorização de 97,3% após as fortes perdas de 2002, que encerrou com baixa acumulada de 17%.
O índice Ibovespa --que reúne as 63 ações mais negociadas e é o principal termômetro do mercado-- encerrou a sexta pouco acima dos 63 mil pontos, rondando seus mais elevados picos históricos. A pontuação da Bolsa representa o valor de mercado das empresas que têm ações. Assim, quando as companhias se valorizam, a pontuação sobe --e vice-versa.
Nesse cenário, os investimentos em Bolsa de Valores têm se tornado mais atraentes aos olhos de muita gente que, em muitos casos, nunca tinha pensado antes em aplicar suas economias em ações.
"O primeiro passo [para a popularização da Bolsa] foi dado, mas ainda vemos muita gente chegando a esse mercado apenas com a preocupação de conquistar lucro rápido. Ainda há muito investimento de curtíssimo prazo, de perfil mais especulativo", diz Jason Freitas Vieira, economista-chefe da UpTrend Consultoria Econômica. "Todavia, lentamente o investidor individual tem buscado conhecer o mercado."
Diversificação
O IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) da Bovespa Holding mostrou que o pequeno investidor não está apenas alocado no eixo São Paulo-Rio de Janeiro. O resultado da oferta mostrou que mais de 30% dos investidores vieram de outras regiões --com 53% concentrados em São Paulo e 16,7% no Rio de Janeiro.
Quase 64 mil investidores de varejo conseguiram participar do lançamento de ações da Bovespa Holding --nova companhia criada na abertura de capital da Bolsa de Valores de São Paulo-- comprando papéis.
No caso da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), que lançou suas ações na sexta-feira, estima-se que cerca de 285 mil pequenos investidores levaram os novos papéis.
"Muita gente tem entrado na Bolsa de Valores em decorrência dos IPOs. Vejo aí um problema que pode ser o da euforia, de gente que não conhece bem o funcionamento do mercado. Daí, se entrarmos em um período mais longo de baixas, vai haver muito pânico, corre-corre e gente dizendo que Bolsa é cassino", afirma Colombo.
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