Oferta do Banco do Brasil é investimento de médio prazo
TONI SCIARRETTA
da Folha de S. Paulo
Confundida como um IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês) por alguns investidores pessoa física, a oferta de ações do Banco do Brasil é uma aplicação financeira para médio prazo que merece atenção, de acordo com especialistas em investimentos pessoais. O prazo para a reserva vai até o dia 11.
Diferentemente de uma ação que estréia na Bolsa, os papéis do Banco do Brasil já são negociados no mercado e têm um preço, que na sexta fechou em R$ 31,80 --em um ano, já teve valorização de 64,41%.
Nos IPOs, algumas ações têm potencial explosivo de valorização porque o mercado não tem qualquer referência de preço e há uma demanda grande.
Para comprar a ação do BB na oferta pública, o preço deve ser menor do que o investidor pagaria no pregão, segundo analistas. De outra forma, poderia comprar a ação na Bolsa.
"Não é um IPO. São ações que já existem. Será uma questão de preço. Ainda tem o inconveniente da gestão governamental, que não é voltada para o retorno ao acionista. A capacidade de gerar lucro é baixa", disse Otto Nagami, do Ibmec-SP.
"Fica difícil indicar as ações depois que o Mantega [ministro da Fazenda, Guido Mantega] falou que a Caixa e o Banco do Brasil não têm obrigação de dar lucro como o Itaú e o Bradesco. Vai ser um bom negócio, mas em médio prazo. A pessoa pode ganhar, mas não é uma oportunidade para 'flippar' [vender a ação no início das negociações] como nos IPOs", disse o matemático Marcos Crivelaro, professor da Fiap.
Segundo Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, para quem acredita no potencial do negócio bancário brasileiro os bancos privados proporcionam maior retorno ao acionista por ter um melhor índice de eficiência, capacidade de gerar receita com um custo menor.
"Por outro lado, o BB tem brigado para não ficar menor que os outros bancos. Comprou bancos estaduais, tem alguns passivos que pode recuperar no futuro. Os outros [bancos privados] são melhores, mas têm preços mais altos."
Como fatores positivos para a compra, os analistas apontam o preço, que estaria defasado ante o dos rivais, e o fato de o BB ser um dos bancos com ações no Novo Mercado, que exige mais transparência em relação ao acionista minoritário.
É possível aplicar, no mínimo, R$ 200 por meio de um fundo na compra de ações do banco, que oferecerá 87 milhões de papéis da Previ (fundo de pensão dos funcionários) e da BNDESPar. Se a procura dos investidores for grande, mais 30 milhões de ações serão oferecidas. As pessoas físicas poderão ter até 80% do total.
A pessoa física pode investir em ações do Banco do Brasil por meio da compra direta dos papéis ou do FIA-BB (Fundo de Investimento em Ações do Banco do Brasil).
A reserva do fundo, por enquanto, é feita só no BB, em qualquer agência ou pelo www.bb.com.br. O investidor tem de ser correntista do banco. É cobrada taxa de administração anual de 1,5%.
Já a compra direta de ações é feita por meio de um banco, do qual o investidor deve ser cliente, ou de uma corretora (veja lista no www.bovespa. com.br). Não há taxa de administração, e o mínimo aplicado deve ser R$ 1.000.
Paulo Portinho, gerente do INI (Instituto Nacional de Investidores), alerta que os fundos podem render cerca de 1,5% menos do que a compra direta de ações. "O fundo é indicado para quem não tem conta em corretora."
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