Dinheiro
04/12/2007 - 09h45

Ex-assessor de Mantega é condenado a 6 anos de prisão

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da Folha de S.Paulo

O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Júlio Sérgio Gomes de Almeida está entre os 20 condenados à prisão pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região sob acusação de gestão temerária no Banespa nos anos 1990, no governo de Orestes Quércia (PMDB).

Gomes de Almeida foi um dos principais auxiliares do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no período de maio de 2006 a abril de 2007, quando deixou a Secretaria de Política Econômica.

Depois de sair do governo, ele voltou a assessorar o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), entidade ligada ao setor privado e crítica da política monetária e cambial.

Gomes de Almeida, que foi condenado a seis anos de prisão em regime semi-aberto e multa de R$ 54,72 mil, disse à Folha que vai recorrer da decisão --ainda cabem recursos ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal.

Apesar de ser proferida por um tribunal, a condenação equivale a uma decisão de primeira instância, ressaltou Gomes de Almeida.

Os 20 ex-gestores do Banespa foram condenados em razão de empréstimo de cerca de US$ 9 milhões à Companhia Agrícola Vale do Rio Grande, concedido em setembro de 1990. Do total, apenas US$ 1 milhão foi devolvido. O Ministério Público Federal sustentou que a operação "causou enorme prejuízo ao banco".

"Eu aprovava cerca de 100 operações por dia, 400 por semana", observou Gomes de Almeida. Segundo ele, a condenação se refere a uma única operação, realizada há 16 anos. O economista foi vice-presidente do Banespa em 1990 e 1991 e integrava o Comitê Gestor responsável por aprovar financiamentos.

Já no governo, em dezembro de 2006, Gomes de Almeida foi condenado por sua atuação no Banespa pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ele também contesta a decisão.

O Banespa era controlado pelo Estado de São Paulo e sofreu intervenção do Banco Central em 1994. Em novembro de 2000, o banco paulista foi vendido para o espanhol Santander, dentro do programa de privatização.

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