Empresas petroquímicas concorrerão entre si, diz Petrobras
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta terça-feira que as duas grandes empresas formadas depois da reestruturação do setor petroquímico continuarão concorrendo entre si. Gabrielli afirmou que, apesar de a Petrobras ser "acionista minoritária relevante", ou seja, ter direito a veto em questões nas duas empresas, a estatal não irá interferir em assuntos concorrenciais.
"Nossa visão é que as duas empresas concorrerão entre si, o que é bom, é saudável. Acreditamos que o setor petroquímico é internacional, não é uma competição local. Não estamos considerando que existirão problemas [para a aprovação das operações pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)]", disse, após reunião em que apresentou a reestruturação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na semana passada, a estatal participou do anúncio de uma reestruturação no setor petroquímico. A Braskem integrou os ativos da Petrobras na Copesul, Ipiranga Química, Ipiranga Petroquímica, Petroquímica Paulínia e Petroquímica Triunfo. Em troca, a estatal passa a ter 25% do capital da Braskem.
Em outra frente, a Petrobras comprou a Suzano Petroquímica e, junto com a Unipar, formará uma nova empresa petroquímica com 60% de participação da Unipar e 40% da Petrobras (incluindo os ativos da Suzano).
"Teremos dois grandes grupos econômicos com musculatura para enfrentar a concorrência mundial", afirmou.
Gabrielli disse ainda que, inicialmente, a nova empresa formada em parceria com a Unipar será de capital fechado, mas não descartou a abertura do capital da empresa no futuro. Ele declarou que não há nenhuma perspectiva de fusão entre as duas grandes petroquímicas no futuro.
"Direito especial"
Gabrielli disse que o acordo firmado nas duas empresas prevê que a Petrobrás terá "direitos especiais" como acionista minoritária relevante, o que permite uma votação qualificada em alguns temas, como gestão financeira, expansão e novos projetos.
"Nós vamos ter influência, nossa voz será ouvida devidamente. Isso é comum em acordos de acionistas com sócios minoritários relevantes. Nós não somos um sócio que tem participação pequena.", afirmou.
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