Mantega aposta em crescimento da produção industrial em 6%
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre a produção industrial, o melhor desde 2003, já eram esperados e que neste ano a expansão do setor será superior a 5%.
"Já era esperado que a produção industrial tivesse dado uma arrancada forte nesse final de ano. Não me surpreendo com os dados extremamente positivos que foram apresentados. Eles mostram que a produção industrial vai crescer acima de 5%, provavelmente fechar o ano em torno de 6%", espera o ministro.
Hoje, o IBGE divulgou que a produção industrial de outubro apresentou expansão de 2,8% sobre o mês anterior, a maior variação nesse tipo de comparação desde setembro de 2003. Em relação a outubro do ano passado, a produção cresceu 10,3%. No acumulado do ano, o crescimento foi de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%.
Em dia de decisão sobre a taxa de juros, Mantega afirmou ainda que está despreocupado com a inflação e que é preciso perder a mania de acreditar que crescimento gera pressão inflacionária. Ele ainda aposta em uma expansão da produção industrial acima de 5% neste ano.
"Temos que perder essa mania de achar que o crescimento maior resulta em inflação maior. Os preços industriais têm crescido em média 3%, bem abaixo da meta de inflação [4,5%], pelo último IPCA. O que me faz deduzir que os preços industriais não estão contribuindo para qualquer elevação da inflação', afirmou.
Para ele, a inflação de hoje é momentânea e vem dos preços agrícolas, que foram elevados devido à falta de chuvas na região Sul --com uma safra menor, os preços subiram.
Na avaliação do ministro, o crescimento da produção industrial e a alta utilização da capacidade instalada das indústrias (uso das máquinas e equipamentos disponíveis em uma fábrica) não prejudicam o controle de preços porque não se traduziram em inflação.
Juros
Hoje, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decide qual será a nova taxa de juros, a Selic, atualmente em 11,25% ao ano. A expectativa do mercado é que ela seja mantida nesse patamar.
Para controlar a inflação, o BC faz uso da taxa de juros, mantendo-a no patamar atual ou elevando a Selic.
Na ata da última reunião, os diretores da instituição manifestaram preocupação em relação ao nível de utilização da capacidade instalada e o aumento da demanda. Se as indústrias não têm condições de atender a um aumento de consumo, pode ocorrer aumento dos preços.
Ontem, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou que a utilização da capacidade instalada em outubro chegou a 84,3%, o valor mais elevado desde 2003, início da série.
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