Gasolina perderá mais espaço para o álcool a partir de 2010
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes) prevê que a gasolina perderá espaço para o álcool no mercado de combustíveis a partir de 2010.
Segundo o vice-presidente executivo do órgão, Alisio Vaz, a principal preocupação com essa possibilidade é a perda de arrecadação. Isso ocorre em função do alto índice de sonegação do álcool, que faz com que as distribuidoras tenham margens menores, em relação à gasolina.
Vaz estima que as vendas de gasolina se estabilizarão nos próximos três anos. A partir daí, calcula que poderá haver queda no consumo do combustível, em função do incremento da produção e da maciça presença de carros flex fuel no mercado.
"O álcool terá mais espaço. A tendência é que o preço do combustível se mantenha de 60% a 65% menor que o da gasolina. O alto preço do barril do petróleo dá clara competitividade em relação à gasolina. O preconceito em relação ao álcool é cada vez menor", afirmou.
Ao mesmo tempo, Vaz lembrou que o álcool "transita em uma informalidade muito grande", ainda que as ações contra a adulteração do combustível e a sonegação tributária tenham se intensificado. Ele ressaltou que até a metade desse ano, as distribuidoras perdiam dinheiro comercializando álcool. Acrescentou que, atualmente, as margens já são positivas, embora ainda pequenas.
Alisio Vaz disse ainda que a alíquota de ICMS sobre o álcool, cobrada de forma diferenciada nos Estados, estimula ainda mais a sonegação. Em São Paulo, por exemplo, a alíquota é de 12%; no Pará, chega a 30%.
Ele observou que os Estados estão perdendo arrecadação, e que há uma tendência de uma leve alta, mas ainda longe dos patamar do Pará. Dos 7,7 bilhões de litros de álcool em 2006, 1,5 bilhão de litros foram sonegados.
"A unificação da taxa de ICMS sobre o álcool seria uma boa opção. Mas isso só seria possível com uma reforma tributária", sugeriu Vaz.
O vice-presidente executivo do Sindicom exaltou a competitividade do álcool em relação à gasolina, principalmente neste ano. Justificou sua defesa ao mostrar dados que indicam que o preço do álcool corresponde a 65% da gasolina, o que, segundo ele, compensa a escolha do combustível renovável.
A expectativa do Sindicom é que, no médio prazo, as vendas de álcool das distribuidoras filiadas, estimadas em 5,3 bilhões de litros em 2007, alcancem os patamares de 1990. Naquele ano, a comercialização do combustível chegou a 11 bilhões de litros.
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