BC mantém taxa de juros em 11,25% ao ano na última reunião do ano
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
Com a economia aquecida e a produção industrial em alta, o Banco Central decidiu manter inalterada a taxa de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou nesta quarta-feira que a Selic irá continuar em 11,25%. É a segunda reunião em que os diretores optam pela manutenção após 18 cortes consecutivos.
"Avaliando a conjuntura macroeconômica e o cenário prospectivo para inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 11,25% ao ano, sem viés", afirmou nota divulgada após a reunião.
A decisão era esperada. Na ata da reunião anterior, realizada em outubro, os diretores do BC relataram preocupação em relação ao crescimento da demanda. Eles temem que as indústrias, que estão operando com uma alta utilização de máquinas e equipamentos, não consigam atender o consumo crescente. Além disso, afirmaram que os efeitos dos cortes anteriores ainda não surtiram efeito na economia.
Com a decisão de hoje, o Brasil segue no segundo lugar do ranking dos países com a taxa de juro real (descontada a inflação) mais elevadas. Segundo a UpTrend Consultoria Econômica, descontando a projeção para a inflação para os próximos 12 meses, a taxa real é de 7,04% ao ano, contra cerca de 9% da Turquia.
| Arte Folha Online | ||
![]() |
O Copom decidiu pela manutenção no momento em que a economia está em crescimento --analistas do mercado financeiro esperam uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,7%-- e que a indústria bate recordes --a produção industrial de outubro cresceu 2,8% em relação a setembro, a maior variação desde setembro de 2003.
O temor é que com um possível aumento da demanda as empresas não tenham tempo de ampliar o seu parque produtivo e que os preços saiam do controle.
Hoje pela manhã, o ministro Guido Mantega (Fazenda), afirmou que é preciso acabar com a "mania" de acreditar que crescimento gera inflação.
"Temos que perder essa mania de achar que o crescimento maior resulta em inflação maior. Os preços industriais têm crescido em média 3%, bem abaixo da meta de inflação [4,5%], pelo último IPCA. O que me faz deduzir que os preços industriais não estão contribuindo para qualquer elevação da inflação", afirmou.
Futuro
A expectativa é que a taxa de juros volte a cair apenas a partir de abril, segundo a pesquisa semanal feita pelo BC junto aos analistas do mercado financeiro.
O maior desafio do BC é fazer com que a inflação não saia do controle no próximo ano e fique dentro da meta de 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Para este ano, é baixa a probabilidade que isso aconteça. No acumulado de 12 meses até outubro, ela está em 4,12%.
A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle. Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao crédito e consome mais. Esse aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender esse maior consumo. Por outro lado, se os juros sobem, a autoridade monetária inibe consumo e investimento, a economia desacelera e você evita que os preços subam.
O Copom divulga na quinta-feira da próxima semana a ata da reunião ocorrida ontem e hoje. A próxima reunião irá ocorrer nos dias 22 e 23 de janeiro.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- Indústria diz que esperava manutenção dos juros, mas pede mais cortes
- Comércio chama de "erro" decisão do Copom e espera retomada dos cortes
- Mercado aguarda retomada de corte dos juros somente em julho
- Entenda como a taxa básica de juros influencia a economia
- Produção industrial cresce 2,8% em outubro, maior alta desde 2003
- Preços disparam e Fipe projeta inflação de 4,44% para 2007
Especial



avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar