Mercado aguarda retomada de corte dos juros somente em julho
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Economistas do mercado financeiro esperam que somente após o primeiro semestre de 2008 o Copom (Comitê de Política Monetária) volte a reduzir os juros. Hoje, o Comitê não surpreendeu e manteve os juros básicos em 11,25%, com uma decisão unânime.
"Não há como ser diferente, pela simples razão que, desde a última reunião, em que eles pausaram a queda dos juros, o cenário externo se deteriorou. Nós tivemos um agravamento da crise dos créditos 'subprime' nos EUA, provocando uma grande oscilação dos ativos financeiros", afirmou Newton Rosa, economista da Sul América Investimentos.
"Internamente, a maior preocupação deles [os integrantes do Copom] ocorreu: houve um aquecimento da economia, principalmente no setor industrial. Quer dizer, a economia somente confirmou o que eles esperavam", avalia.
Economistas também destacaram a elevação dos preços no atacado, o que poderia contaminar a inflação em geral. "Variações mais elevadas dos índices gerais de preços neste ano [os IGPs] deverão gerar maior inércia inflacionária para o ano seguinte, através do efeito sobre reajustes de alguns preços monitorados e de alguns serviços, com destaque para os contratos de aluguel", afirma Elson Teles, economista da corretora Concórdia.
Para Rosa, da Sul América Investimentos, o Comitê somente deve voltar a reduzir os juros após ver a maturação dos investimentos já feitos pelo setor produtivo no lado real da economia.
Ontem, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou que a utilização da capacidade instalada (o o uso de máquinas e equipamentos disponíveis) em outubro chegou a 84,3%, o valor mais elevado desde 2003, início da série.
"O Copom vai ter verificar algum efeito nesse nível da capacidade instalada para voltar a reduzir os juros. Por esse motivo, nós somente esperamos um novo corte dos juros em junho, quando provavelmente o Comitê pode reduzir os juros em 0,25 ponto percentual", acrescenta o economista.
Junho
O presidente do Ibef-SP (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo), Walter Machado de Barros, acredita ser possível que o Comitê retome a redução da taxa Selic ainda em junho, mas "suavemente".
Para Machado de Barros, "suavemente" deve ser entendido como um corte de 0,25 ponto percentual, "com posteriores cortes para terminar 2008 com redução de 1 ponto percentual".
Ele acredita que o BC vai monitorar o IPCA (índice oficial de inflação), principalmente, com atenção para os preços agrícolas. "Estes poderão continuar pressionando os índices em 2008", afirma ele.
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