Dinheiro
05/12/2007 - 20h00

Mercado aguarda retomada de corte dos juros somente em julho

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Economistas do mercado financeiro esperam que somente após o primeiro semestre de 2008 o Copom (Comitê de Política Monetária) volte a reduzir os juros. Hoje, o Comitê não surpreendeu e manteve os juros básicos em 11,25%, com uma decisão unânime.

"Não há como ser diferente, pela simples razão que, desde a última reunião, em que eles pausaram a queda dos juros, o cenário externo se deteriorou. Nós tivemos um agravamento da crise dos créditos 'subprime' nos EUA, provocando uma grande oscilação dos ativos financeiros", afirmou Newton Rosa, economista da Sul América Investimentos.

"Internamente, a maior preocupação deles [os integrantes do Copom] ocorreu: houve um aquecimento da economia, principalmente no setor industrial. Quer dizer, a economia somente confirmou o que eles esperavam", avalia.

Economistas também destacaram a elevação dos preços no atacado, o que poderia contaminar a inflação em geral. "Variações mais elevadas dos índices gerais de preços neste ano [os IGPs] deverão gerar maior inércia inflacionária para o ano seguinte, através do efeito sobre reajustes de alguns preços monitorados e de alguns serviços, com destaque para os contratos de aluguel", afirma Elson Teles, economista da corretora Concórdia.

Para Rosa, da Sul América Investimentos, o Comitê somente deve voltar a reduzir os juros após ver a maturação dos investimentos já feitos pelo setor produtivo no lado real da economia.

Ontem, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou que a utilização da capacidade instalada (o o uso de máquinas e equipamentos disponíveis) em outubro chegou a 84,3%, o valor mais elevado desde 2003, início da série.

"O Copom vai ter verificar algum efeito nesse nível da capacidade instalada para voltar a reduzir os juros. Por esse motivo, nós somente esperamos um novo corte dos juros em junho, quando provavelmente o Comitê pode reduzir os juros em 0,25 ponto percentual", acrescenta o economista.

Junho

O presidente do Ibef-SP (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo), Walter Machado de Barros, acredita ser possível que o Comitê retome a redução da taxa Selic ainda em junho, mas "suavemente".

Para Machado de Barros, "suavemente" deve ser entendido como um corte de 0,25 ponto percentual, "com posteriores cortes para terminar 2008 com redução de 1 ponto percentual".

Ele acredita que o BC vai monitorar o IPCA (índice oficial de inflação), principalmente, com atenção para os preços agrícolas. "Estes poderão continuar pressionando os índices em 2008", afirma ele.

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Comentários dos leitores
marco silva (2) 06/12/2007 09h09
marco silva (2) 06/12/2007 09h09
GUARULHOS / SP
Quando se fala em redução da inflação, fala-se em aumento da taxa selic. Até hoje, nunca ví discussão a respeito da redução da taxa do compulsório, a que os bancos são submetidos pelo total dos depósitos à vista, depositados diariamente no bacen. Aí sim é onde se concentra a política de controle da moeda e consequentemente mais ou menos dinheiro no mercado financeiro para aquecimento da economia, sem entretanto, encher os bolsos dos investidores estrangeiros com a selic. sem opinião
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jao abao (2) 06/12/2007 00h37
jao abao (2) 06/12/2007 00h37
RIO DE JANEIRO / RJ
Nao vejo mau algum porque vejo muito mal. Desculpem-me os caros co-leitores deste prestigioso pasquim quatrocentao. 1 opinião
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Roberto Machado (1) 06/12/2007 00h21
Roberto Machado (1) 06/12/2007 00h21
TERESINA / PI
O Sr. Henrique Meireles teima em manter os juros altos, diz que o Brasil nunca esteve numa situação tão confortável com grandes reservas em dólar. É preciso avisar este cidadão que o dólar está derretendo 4 opiniões
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