Leilão de usina do Madeira não deverá ter deságio elevado, diz EPE
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, disse nesta quinta-feira não esperar um grande deságio no leilão da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira. A usina será licitada na próxima segunda-feira.
De acordo com Tolmasquim, o governo já baixou bastante os custos e as expectativas de investimentos previstos para a usina, o que diminuiu o preço máximo para o leilão (R$ 122/MWh). Na disputa, vence quem oferecer a menor tarifa.
"O preço está bastante baixo, não temos expectativa de grande deságio, mas posso ser surpreendido", ressaltou.
Inicialmente, os estudos previam que a usina custaria R$ 13,5 bilhões, mas o preço usado pelo governo como referência para o leilão fechou em R$ 9,5 bilhões. Apesar disso, Tolmasquim disse esperar que o leilão tenha concorrência por conta dos três consórcios fortes que irão disputar a licitação. Ele lembrou que, mesmo com o preço teto baixo, ainda há espaço para que cada consórcio se organize e ofereça tarifas competitivas.
"Cada grupo tem condição de fazer otimizações financeiras, dependendo dos empréstimos que fizer e dos acordos com os fornecedores de equipamentos", declarou.
Jirau
O governo pretende licitar até julho do ano que vem a usina de Jirau, segunda do complexo do Rio Madeira. Tolmasquim admitiu que, quem ganhar o leilão de Santo Antônio, terá vantagens na licitação de Jirau.
"Quem ganhar esse leilão sem dúvida terá ganhos de escala. Mas não é totalmente determinado, como é muito próximo do outro tem a questão do financiamento que tem que ser levantado. Se fosse dois ou três anos de diferença, os ganhos de escala seriam maiores", ressaltou.
Participam do leilão de segunda-feira três grupos: Consórcio de Empresas Investimentos de Santo Antonio (Camargo Corrêa, Chesf, CPFL Energia e Endesa), Madeira Energia (Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig,F urnas Centrais Elétricas e um fundo de investimento formado por Banif e Santander), e o Consórcio Energia Sustentável do Brasil (Suez e Eletrosul).
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