Energias do Brasil quer parcerias com usineiros em termelétricas
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Disposta a duplicar sua capacidade instalada, e Energias do Brasil pode fazer parcerias com usineiros para a construção de usinas termelétricas movidas a biomassa. O diretor vice-presidente da empresa, Custódio Miguens, revelou que a companhia trabalha com a possibilidade de incluir os possíveis projetos no leilão de biomassa, marcado para 15 de abril.
"Faz sentido fazer a parceria com usineiros, já que eles tem o know-how do assunto. Existe a possibilidade de nos associarmos em projetos para que entremos no leilão do ano que vem", afirmou.
Atualmente, a Energias do Brasil --holding pertencente à portuguesa Energias de Portugal-- têm 1.043 MW (megawatts) de capacidade instalada, espalhada em usinas hidrelétricas e PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas).
Miguens disse que, em função de poucas opções de investimento em hidrelétricas surgidas nos últimos anos, a Energias do Brasil está apostando em alternativas para ampliar sua capacidade instalada.
Uma delas já está definida. A companhia vai construir, em parceria com a MPX --do empresário Eike Batista-- uma termelétrica movida a carvão em Pecém (CE). A unidade terá potência total de 760 MW.
Custódio Miguens acrescentou que a Energias do Brasil tem 2 mil MW em estudo, divididos em 21 PCHs [usinas hidrelétricas com capacidade de até 30 MW] e oito hidrelétricas. Os estudos relativos às PCHs foram desenvolvidos pela própria companhia, e serão entregues em meados de 2008.
Se em 90 dias não aparecerem interessados, a Energias do Brasil poderá construir o projeto, sem disputas, desde que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Fora da disputa da usina de Santo Antônio (3.150 MW), do Complexo do Rio Madeira, a Energias do Brasil não descarta participar do leilão da segunda usina do complexo -- Jirau (3.300 MW). Miguens, no entanto, não demonstra muito ânimo ao falar do projeto. Segundo ele, a complexidade do projeto fatalmente acarretará problemas ambientais, que segundo ele, a empresa não gostaria de ter.
"Nunca fechamos a porta para o Madeira. É um projeto muito grande, há muitos impedimentos. Preferimos investir em usinas de médio porte", observou. O executivo acrescentou que a Energias do Brasil tem interesse em controlar os projetos em parceria.
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