Dinheiro
07/12/2007 - 17h02

Usiminas é responsável por investimento em siderurgia, diz Vale

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Cobrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre investimentos da empresa na área siderúrgica do País, o presidente da Vale, Roger Agnelli, sugeriu nesta sexta-feira que a Usiminas atue com mais agressividade para garantir o atendimento da demanda interna.

"Eu acho que ela [Usiminas] tem que ter um olhar sobre o desenvolvimento do País. O desejo da Vale é que ela faça os investimentos. Ela tem anunciado investimentos, mas são investimentos que eu diria, de reposição ou de manutenção", afirmou.

Questionado se a Usiminas não vem avaliando novos projetos, Agnelli foi irônico. "Há dez anos, quinze anos", respondeu.

O presidente da Vale frisou que a Usiminas possui condições de investir em uma nova planta. Segundo ele, a empresa "é a grande usina brasileira". Acrescentou que a siderurgia local tem que tomar a liderança de investir no mercado interno.

"É a grande e mais eficiente siderúrgica brasileira. Ela deveria estar no meu modo de ver, crescendo", observou, após participar de almoço com a imprensa.

Agnelli reiterou que o grande objetivo da Vale é vender minério de ferro. Referindo-se às siderúrgicas, acrescentou que a companhia também quer apoiar o cliente que está investindo.
Um dia após a Vale ser criticada pelo presidente Lula sobre seu papel na siderurgia brasileira, Roger Agnelli repetiu várias vezes que a empresa teve um papel decisivo na atração de quatro projetos siderúrgicos que serão implementados nos próximos anos. A Vale participa de forma minoritária nesses projetos.

"A Vale não tem intenção nenhuma de estar participando de forma ativa na gestão dessas usinas. Nossa prioridade é vender minério", afirmou.

Os projetos em questão são relativos a CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), em parceria com a ThyssenKrupp; a CSV (Companhia Siderúrgica de Vitória), aliança com a Baosteel; a Ceará Steel, parceria com a Dongkuk; e a expansão da unidade de Ipatinga da Usiminas (a Vale é sócia da Usiminas).

O executivo ressaltou que os investimentos totais nas quatro siderúrgicas é de US$ 13,2 bilhões, que proporcionarão um incremento 17,2 milhões de toneladas

"O projeto da Usiminas é voltado para o mercado interno. Os outros investimentos são voltados para a exportação", declarou.

Agnelli confirmou que a Vale tem a intenção de ajudar a trazer mais um investimento siderúrgico estrangeiro para o Brasil, que também seria voltado para exportação. Ele disse que está negociando com diferentes companhias, e que o processo é complicado e longo.

"É uma equação que depende do interesse de todos. Tem que haver intenção do investidor e atratividade para que ele venha para cá. Aí, entra o governo, que tem que criar o ambiente para isso", afirmou.

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