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Dinheiro
10/12/2007 - 10h23

Mercado de fundos tem oferta recorde de produtos em 2007

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FABRÍCIO VIEIRA
da Folha de S.Paulo

O mercado de fundos atingiu em 2007 picos inéditos, com oferta recorde de produtos financeiros e capital investido inimaginável há pouco anos. Nesse cenário de expansão rápida e contínua, o investidor, especialmente o novato, pode sentir-se perdido e inseguro na hora de decidir onde aplicar suas economias.

O investidor conta hoje com 3.228 fundos para escolher --8% a mais que o disponível no ano passado. Em 2000, eram cerca de 2.100 fundos, e, em 1995, aproximadamente 1.000 --isso sem considerar os FACs (Fundos de Aplicação em Cotas, que reinvestem em outros fundos).

Assim, compreender seu perfil e sua tolerância aos riscos inerentes aos fundos --que estão espalhados por 44 diferentes tipos-- é o primeiro passo a ser levado em consideração quando se decide fazer uma aplicação, segundo avaliação de consultores financeiros.

A captação líquida de R$ 60 bilhões computada neste ano, até o fim de novembro, levou o patrimônio da indústria de fundos nacional ao recorde de R$ 1,1 trilhão, segundo a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Em 2002, o patrimônio líquido do mercado chegou a ficar abaixo de R$ 400 bilhões.

Para Mauro Halfeld, consultor financeiro e professor, antes de mais nada é fundamental que o investidor "não se deixe contagiar" pelo momento.

"Temos visto uma euforia com o mercado de ações. E muita gente ignora que o fato de a Bolsa estar em picos históricos eleva o risco de correções importantes ocorrerem. Antes de mais nada, é fundamental que se esteja ciente dos riscos que cada aplicação pode representar", afirma Halfeld.

Mais procurados

Neste ano, os preferidos dos investidores têm sido os fundos de ações e multimercados, o que sinaliza que o brasileiro tem se tornado mais tolerante ao risco das aplicações.

Nos multimercados, caracterizados por poderem aplicar em diferentes segmentos, como ações, câmbio e títulos que pagam juros, as aplicações bateram os resgates em R$ 31,05 bilhões neste ano, até o fim de novembro. Os fundos de ações apareceram em seguida, com captação líquida de R$ 18,29 bilhões.

Já os fundos DI, que acompanham a oscilação dos juros, representando menores riscos de perdas, tiveram saques líquidos de R$ 11,55 bilhões em 2007.

O perfil do investidor costuma ser dividido em pelo menos três categorias: o agressivo, que aceita riscos e costuma aplicar grande parte de suas economias em ações; o moderado, que tem uma tolerância menor às oscilações do mercado, aceitando alocar apenas pequeno percentual na renda variável; e o conservador, que prefere investimentos que pouco oscilam e que são atrelados aos juros, como a caderneta de poupança ou os fundos DI.

"Com oferta e concorrência crescentes, fica difícil de o investidor processar tanta informação e entender a diferença de cada produto ofertado", avalia o administrador de investimentos Fábio Colombo.

"Acho que uma forma interessante de começar a se informar é dirigindo-se à instituição financeira em que é cliente e pedindo para que seja apresentada a família de fundos oferecida em cada categoria. Um ponto fundamental é ver as taxas de administração cobradas, que podem variar bastante, na busca das menores possíveis", diz Colombo.

Taxas e custos

Estudo da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mostrou que em 2006 os investidores brasileiros desembolsaram R$ 8,7 bilhões apenas no pagamento de taxas de administração, o que representou elevação de 11% em relação ao registrado no ano anterior.

As taxas de administração costumam oscilar entre 1% e 4% ao ano. Nos fundos de ações e multimercados, que exigem maior agilidade dos gestores para comprarem e venderem papéis e montarem as carteiras, essa taxa cobrada dos cotistas tende a ficar entre as mais elevadas do mercado.

O investidor não precisa apenas se ater ao banco em que é cliente para fazer suas escolhas na hora de investir. Existe um grande número de instituições financeiras que oferecem fundos de investimentos.

Ranking elaborado pela Anbid mostra que há atualmente 248 gestores de fundos atuando no país. No topo, concentrando os maiores volumes administrados, aparecem Banco do Brasil, Itaú e Bradesco.

E a conta-investimento, que permite a migração do capital investido sem o pagamento de CPMF, favoreceu a mobilidade dos recursos dos aplicadores. As pessoas podem abrir mais de uma dessas contas em diferentes instituições, podendo assim movimentar seus recursos entre os fundos.

O investidor também não deve se esquecer de que há cobrança de alíquota de IR (Imposto de Renda) sobre os ganhos proporcionados pelas aplicações feitas nos fundos.

Dependendo do período em que o cliente mantém o dinheiro aplicado --quem saca mais rápido acaba por pagar mais--, a alíquota de IR vai variar de 15% a 22,5%.

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