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Dinheiro
10/12/2007 - 10h36

PM dispersa manifestantes contra leilão do Madeira; 7 são presos

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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O batalhão de operações especiais da Polícia Militar retirou os manifestantes contrários ao leilão da usina de Santo Antônio, no rio Madeira, que bloqueavam a entrada da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), onde a licitação está programada para ocorrer hoje. Segundo a polícia, sete pessoas foram presas.

Carros da polícia e do corpo de bombeiros bloqueiam as vias de acesso à agencia. Entre os manifestantes encontram-se membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), da Via Campesina e do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Além de protestarem contra o leilão da usina no Madeira, eles seguram faixas com frases contra a transposição do rio São Francisco.

Os manifestantes continuam nas vias de acesso à agência, mas a expectativa é de que o leilão ocorra como previsto. Segundo a polícia, os sete presos alegaram ser os líderes da manifestação.

De acordo com a assessoria da agência, representantes dos três consórcios que participarão do leilão já conseguiram entrar no local. A assessoria da Aneel informou que o leilão poderá ocorrer normalmente mesmo se os manifestantes continuarem a bloquear a entrada, já que tanto os concorrentes como a comissão de licitação já estão na agência.

Participarão do leilão o consórcio Ceisa --do qual participam Camargo Corrêa, com participação de 0,9%, Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), com 49%, a CPFL Energia, (25,05%), e a espanhola Endesa (25,05%)--, o Madeira Energia --Odebrecht (17,6%), Construtora Norberto Odebrecht (1%), Andrade Gutierrez (12,4%), Cemig (10%), Furnas Centrais Elétricas (39%) e um fundo de investimentos formado por Banif e Santander (20%)--, e CESB --Suez (51%) e Eletrobrás (49%).

A expectativa era de que participasse um quarto consórcio formado por Eletronorte e Alusa. De acordo com o governo, as duas empresas não conseguiram chegar a uma proposta considerada competitiva e desistiram de participar da disputa.

Leilão

O leilão foi organizado pela Aneel a partir de diretrizes traçadas pelo Ministério de Minas e Energia. Foi o ministério que estabeleceu, por exemplo, o preço-teto e a quantidade de energia vendida ao mercado livre (grandes consumidores de energia elétrica como indústrias e supermercados), que será de até 30% do total da usina.

A realização do leilão custará R$ 1,4 milhão, que será divido entre os consórcios e as distribuidoras que comprarão a energia. Os custos são principalmente com a rede de informática, compra de microcomputadores e a infra-estrutura da licitação.

A usina de Santo Antônio será construída em Rondônia e terá capacidade para gerar 3.150 MW. A usina começará a gerar energia em 2012 mas a última das 44 turbinas que serão instaladas só entrará em operação em 2016.

O complexo do rio Madeira é considerado prioritário pelo governo e foi incluído no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A previsão é de que até julho do ano que vem seja feita a licitação da usina de Jirau, segunda do complexo.

O governo calcula que a construção da usina custará R$ 9,5 bilhões. Inicialmente, a previsão era de que os custos seriam de R$ 12,5 bilhões, o que elevaria o preço da tarifa cobrada pela energia para R$ 170/MWh. O TCU (Tribunal de Contas da União) fez recomendações para que o governo cortasse custos em equipamentos e construção, mas só parte das sugestões foi seguida.

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