Publicidade

Dinheiro
10/12/2007 - 15h33

Preço de energia em leilão aumenta risco de racionamento, diz analista

Publicidade

DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

O preço da energia fixado no leilão da usina de Santo Antonio, a primeira do rio Madeira (RO), nesta segunda-feira, é negativo para as empresas geradoras de energia elétrica e aumenta as chances de racionamento, segundo analistas.

Contrariando as expectativas, inclusive, do governo, o leilão teve deságio de 35%, com preço da tarifa de R$ 78,90/MWh --bem abaixo dos R$ 122/MWh definidos como teto.

"A esse preço, que foi muito baixo, não se sabe como se vai estruturar o empreendimento, já que o investidor privado não vai estar interessado. Fica a dúvida de como o governo vai garantir a expansão do consumo de energia. As chances de racionamento são maiores", avalia o analista de energia da Brascan Corretora, Diego Núñez, que previa preço entre R$ 100 e R$ 110.

Ainda que com risco de desabastecimento, o consumidor deve sair ganhando no longo prazo, já que a distribuidora vai pagar menos pela energia comprada, segundo Núñez. "Quanto menor o preço pago no leilão, menor o preço de compra a ser pago pela distribuidora. O preço fica mais barato para o consumidor", explicou.

A conta, segundo Núñez, deverá ser paga pela geradora, que deverá registrar queda de faturamento.

"O preço foi muito baixo. E pode ser entendido como um indicador de energia a longo prazo. Com o deságio forte, as empresas de geração vão sofrer. Será negativo para empresas como Eletrobras, Cemig, Cesp e Tractebel", afirmou o analista. "O produto dessas empresas é a venda de energia e com preço menor, o faturamento vai cair."

Segundo análise da Ativa Corretora, o preço da energia fixado no leilão "nem de longe remunera o investimento necessário para construção da Usina". "A oferta, em nossa visão, sofreu uma clara pressão do governo, que novamente utiliza a Eletrobrás como veículo de promoção de políticas públicas, para baixar o preço da energia no longo prazo", segundo avaliação da analista Mônica Araújo.

"O resultado é muito ruim para Eletrobrás, mas é especialmente negativo para o setor elétrico e para a economia, na medida que prova que o modelo do setor elétrico ainda não se traduz em um setor dinâmico de competição saudável."

Oferta e consumo

Já Walter De Vitto, analista da Tendências, aponta fatores positivos do leilão da usina de Santo Antônio, do ponto de vista da oferta e do consumo. "Foi bastante positivo, primeiro, por ser o primeiro grande leilão de fontes hídricas no novo modelo de concessão e, segundo, pelo preço. O deságio foi muito bom", avaliou.

"Tanto essa quando a de Jirau, a ser leiloada no ano que vem, estão na conta do governo para ajudar a suprir a demanda a partir de 2012 e 2013. O fato de o primeiro leilão já ter ocorrido em 2007 contribui para que se consiga cumprir os objetivos no prazo, mesmo que isso não seja uma garantia", disse De Vitto. "Não avaliamos o resultado do ponto de vista da empresa, mas do setor. E para o consumidor, a oferta é boa", explica De Vitto.

Vitoriosa

Segundo De Vitto, a vitória da Odebrecht e parceiras no leilão não foi uma surpresa, uma vez que a empresa foi responsável pelos estudos e conhecia o projeto. "A Odebrecht é uma empresa forte e se preparou muito. E também fez alianças fortes. Ganhou oferecendo um bom deságio e isso é positivo, fez por merecer", informou.

A partir do preço praticado no leilão, a Odebrecht e suas parceiras devem contar com duas premissas, segundo Núñez. Primeiro, conseguir maiores sinergias em outros empreendimentos (ou seja, perder um pouco mais agora para ganhar depois) e, segundo, conseguir a renovação da concessão por mais 20 anos, totalizando 50 anos.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca