China acusa EUA de politizar comércio e prejudicar imagem do país
da Efe, em Pequim
A vice-primeira-ministra chinesa, Wu Yi, acusou os Estados Unidos de politizar os problemas comerciais entre as duas nações, exagerar nos casos dos produtos chineses tóxicos e "prejudicar gravemente a imagem da China", em uma reunião com o secretário de Comércio americano, Carlos Gutiérrez, nesta terça-feira.
Ela afirmou que esses casos foram "notas discordantes" nas relações comerciais entre Washington e Pequim este ano, no qual houve uma "evidente politização das questões econômicas", segundo declarações citadas pela agência estatal chinesa de notícias Xinhua.
A vice-primeira-ministra aproveitou o encontro com Gutiérrez para agradecer os esforços para bloquear as propostas legislativas que impunham limites ao comércio com a China.
Gutiérrez mostrou recentemente sua oposição às propostas do Congresso dos EUA para limitar o comércio com a China, assim como fizeram o mesmo 1.028 economistas americanos e executivos de mais de cem empresas americanas.
"Impor restrições ao mercado normal ou usar medidas protecionistas só servirá para prejudicar os interesses de ambas as partes", afirmou Yi. Gutiérrez também disse que o protecionismo é algo "a evitar". "O melhor modo de reduzir o déficit comercial com a China não é diminuindo as importações", acrescentou, segundo a Xinhua.
Gutiérrez é um dos membros da delegação americana, liderada pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, que se reunirá com representantes do governo chinês nos dias 12 e 13 de dezembro, no 3º Diálogo Econômico Estratégico China-EUA.
O desequilíbrio do comércio bilateral (US$ 234 bilhões de déficit para os EUA) será um dos principais pontos de debate, assim como a segurança dos produtos chineses exportados aos mercados de todo o mundo, após uma onda de escândalos neste ano em relação à toxicidade de brinquedos, remédios e comida para animais, entre outros.
Além de considerar "exagerados" alguns destes escândalos, o governo chinês decidiu tratar com ironia o assunto, dando brinquedos de presente para alguns membros da delegação americana que estão em Pequim nesta semana.
A China tentará centrar o debate em outros temas, já que deseja colaborar com os EUA no desenvolvimento de energias renováveis ou na exploração mais eficiente de matérias como o carvão, do qual é obtida 70% da energia consumida pelo país asiático.
Também fazem parte da delegação americana o secretário da Saúde, Michael Leavitt, e o administrador da Agência de Proteção Ambiental, Stephen Johnson, entre outros. A parte chinesa é presidida pela própria Wu Yi.
Leia mais
- Superávit comercial da China cai para US$ 26,28 bilhões em novembro
- Guias ajudam a se comunicar em chinês, inglês e mais 15 línguas
- Livros da "The Economist" explicam termos essenciais de economia e negociação
- Folha Explica o dólar e sua importância no mundo globalizado
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
Especial

