Federal Reserve mantém ritmo gradual e reduz juros para 4,25%
VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online
Pela terceira vez consecutiva, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) reduziu sua taxa de juros. O banco efetou um novo corte, em ritmo gradual, de 0,25 ponto percentual, o mesmo efetuado em outubro. A taxa agora ficou em 4,25% ao ano --menor desde dezembro de 2005, quando chegou a esse mesmo patamar.
O banco vem tomando medidas para evitar que a economia americana mergulhe em uma recessão. A situação econômica dos EUA, no entanto, ainda é de incerteza, em meio a uma crise no mercado imobiliário, que se ramificou em uma crise no mercado de crédito como um todo (devido à inadimplência no segmento de hipotecas de risco).
| Arte Folha Online/Federal Reserve | ||
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| Juros nos EUA |
No fim do mês passado, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que o banco deverá "estar excepcionalmente alerta e ser flexível" para enfrentar os efeitos dessas crises. Ele avaliou que "ventos contrários" atingem o país, entre eles a maior restrição à concessão de empréstimos hipotecários, o arrefecimento da atividade imobiliária e a alta nos preços da energia (em outubro os preços da energia dispararam: depois de uma queda de 6,1% em setembro, o indicador apontou alta de 14,5%).
Os dados sobre inflação referentes a novembro ainda serão divulgados nesta semana (quinta e sexta-feira), mas os dados de outubro foram vistos como sinal de alerta para o Fed. O núcleo do CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) subiu 0,2%, acima do esperado (a previsão era de uma alta de 0,17%).
Nos 12 meses até outubro, o núcleo do CPI acumulou alta de 2,2% --acima da margem considerada adequada pelo Fed, entre 1% e 2%.
Ao lado da inflação acima do nível moderado, os indicadores econômicos vêm mostrando desempenho incerto: no mês passado, a economia americana gerou 94 mil empregos, o que foi recebido com certo otimismo, uma vez que a expectativa era de criação de 60 mil a 70 mil. Mesmo assim, ficou abaixo do registrado em outubro, 170 mil. Já a taxa de desemprego se manteve em 4,7% pelo terceiro mês consecutivo.
O PIB (soma das riquezas produzidas no país) americano cresceu 4,9% no terceiro trimestre deste ano (dado anualizado) --1 ponto percentual acima dos 3,9% da estimativa inicial. Para o atual trimestre, no entanto, a expectativa é de que o ritmo da economia americana tenha registrado uma desaceleração: pesquisa do "The Wall Street Journal" divulgada hoje mostrou que a previsão de crescimento para o quarto trimestre foi reduzida para 0,9%, contra estimativa anterior de 1,6%.
A mesma pesquisa mostrou que o risco de uma recessão nos Estados Unidos chegou ao maior nível em mais de três anos: as chances de uma recessão no país agora estão em 38%, contra 33,5% no resultado da pesquisa mensal realizada em novembro.
O mercado imobiliário continua a apresentar dados oscilantes: ontem a NAR (Associação Nacional dos Corretores de Imóveis, na sigla em inglês) informou que as vendas pendentes de casas nos EUA tiveram ligeira alta em outubro, com o índice ficando em 87,2 pontos, contra 86,7 pontos em setembro (dado revisado) --pouco acima do nível mais baixo já registrado, 85,5 pontos em agosto.
Já a MBA (Associação de Bancos de Hipoteca, na sigla em inglês) informou que a taxa de hipotecas já em processo de execução nos EUA atingiu o nível mais alto desde 1986, chegando a 0,78% do total de contratos no período de julho a setembro deste ano. A venda de casas usadas nos Estados Unidos, por sua vez, caiu 1,2% em outubro, com que o estoque de unidades oferecidas alcançou seu nível mais elevado em 22 anos.
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