China e EUA dialogam sobre economia, mas não dão o braço a torcer
da Efe, em Pequim
Começou hoje em Xianghe, cidade chinesa próxima à Pequim, o diálogo econômico estratégico entre China e Estados Unidos, em meio a tentativas de entendimento mas com poucas demonstrações de flexibilidade.
Enquanto a China protesta contra o protecionismo americano, os EUA pedem mais flexibilidade no sistema cambial chinês.
O início do diálogo não ficou livre dos gestos simbólicos de que Pequim tanto gosta: o dólar voltou a bater seu recorde em relação ao yuan e os EUA se transformaram em destino turístico autorizado para os chineses.
A crescente interdependência entre as duas economias ficou cada vez mais evidente nos últimos tempos, como ressaltou hoje o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, líder da comitiva dos EUA, durante a abertura dos dois dias de diálogos.
"Não há um só tema, desde o comércio até a segurança na produção, passando pela mudança climática, no qual os interesses de EUA e China não se cruzam", afirmou Paulson, que defendeu o diálogo como maneira de superar obstáculos.
A vice-primeira-ministra chinesa, Wu Yi, concordou: "A história demonstrou que são o diálogo e a consulta, e não o confronto e as acusações, os elementos que permitiram o crescimento das relações empresariais entre China e EUA."
Mas após estenderem a mão ao diálogo, as duas delegações começaram as exigências, os confrontos e os desacordos.
Paulson voltou a exigir de Pequim maior flexibilidade no mecanismo cambial do yuan, embora desta vez não tenha falado apenas sobre o elevado déficit americano, mas também sobre os perigos de liquidez e de aquecimento enfrentados pelo país asiático.
A resposta chinesa foi taxativa: a flexibilização será gradual já que, em caso contrário, a economia mundial pode ser abalada, disseram o ministro das Finanças chinês, Xie Xuren, e o governador do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan.
Assim como a União Européia, os EUA consideram que a China mantém o yuan artificialmente baixo para favorecer suas exportações, mas Pequim diz que o enorme déficit americano é um problema estrutural de sua economia interna.
Segundo Paulson, os temores em relação aos efeitos da concorrência estrangeira, por meio de comércio ou de investimentos, levaram a um aumento do "nacionalismo econômico" nas duas nações.
Mas Wu, experiente em lidar com os americanos, falou que a onda protecionista acontece principalmente nos EUA.
"Estou especialmente preocupada com os 50 projetos de lei no Congresso americano. Se estas propostas forem aprovadas, minarão gravemente os laços empresariais dos EUA com a China", alertou a vice-primeira-ministra.
O diálogo deste ano também abordou os recentes escândalos com produtos chineses --entre eles brinquedos-- depois de a Mattel, empresa americana deste ramo, ter retirado do mercado milhões de unidades fabricadas na China de forma terceirizada.
"Os lindos e baratos brinquedos chineses são populares no mundo todo e sugiro aos pais chineses que os escolham como presente de Natal para seus filhos", disse hoje Li Changjiang, diretor da Administração Estatal de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena.
Changjiang disse que 99% das exportações chinesas são seguras e que o país "fará 100% de esforço para melhorar a qualidade do 1%" que está fora do padrão.
Enquanto Xianghe recebia as duras negociações entre os dois países, os líderes máximos chineses comemoraram com uma grande cerimônia o sucesso do programa lunar da China, e reiteraram que a conquista chinesa do espaço tem objetivos pacíficos.
Este talvez tenha sido um sinal mandado aos delegados americanos para que saibam que devem falar de igual para igual com uma China consciente de sua influência mundial e da importância de sua economia para o resto do mundo.
"China e EUA contribuem para a metade do crescimento econômico mundial. O mundo precisa que suas políticas macroeconômicas se coordenem. E os EUA precisam da China para acalmar sua atual crise", disse hoje Mei Xinyu, analista do Ministério do Comércio chinês.
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