Dinheiro
14/12/2007 - 15h12

Chances de recessão nos EUA estão "aumentando claramente", diz Greenspan

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da Folha Online

O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Alan Greenspan disse nesta sexta-feira que as probabilidades de uma recessão nos EUA estão "aumentando claramente" e destacou que o país se aproxima da "estagnação econômica".

Greenspan afirmou, em entrevista à NPR (Rádio Pública Nacional Americana) que a economia do país está vulnerável. "Alguém que não tenha um sistema imunológico que não funciona muito bem está sujeito a todo tipo de enfermidades e a economia noas atuais níveis de crescimento está sujeita a todo tipo de abalos possíveis", afirmou.

A economia americana cresceu 4,9% no terceiro trimestre deste ano --acima da estimativa inicial, de 3,9%. Para o atual trimestre, no entanto, a expectativa é de que o ritmo da economia americana tenha registrado uma desaceleração. A divulgação da primeira estimativa sobre o desempenho da economia no quatro trimestre deste ano está programada para o dia 30 de janeiro de 2008.

Em pesquisa divulgada no último dia 11 (mesmo dia em que o Fed reduziu sua taxa de juros de 4,5% para 4,25%), o diário americano "The Wall Street Journal" informou que a chance de uma recessão nos Estados Unidos chegou ao maior nível em mais de três anos --38%.

Greenspan rebateu as críticas de que ele teria contribuído para a formação de uma bolha no setor imobiliário durante sua permanência à frente do banco (de agosto de 1987 a janeiro de 2006), com uma política de juros baixos.

"[Esse argumento] não coincide com os fatos", disse, indicando que "há bolhas imobiliárias em 20 países ou mais no mundo todo" e disse que esse fenômeno ocorre devido à diminuição das taxas de juros de longo prazo em muitos lugares.

"Concluímos que as forças monetárias que estavam surgindo em escala global eram tão esmagadoras frente aos recursos do banco central que, de fato, perdemos o controle sobre os juros a longo prazo e as forças que movimentavam a alta dos preços dos imóveis", disse.

Questionado sobre se o Fed poderia ter prevenido ou aliviado os efeitos da bolha imobiliária nos EUA, destacou que "só havia uma coisa que poderia ser feita: cortar o crédito a curto prazo" --o que poderia ter afetado a economia americana. "Existem provas muito claras que não há nada que os bancos centrais pudessem ter feito ou tentado fazer."

Ele destacou que o estouro da bolha imobiliária era, de certo modo, "inevitável". "Quando começa a se desenrolar uma sensação de euforia na economia, temos de enfrentar aspectos inatos da natureza humana."

"No fim, as bolhas têm de se desfazer por si mesmas", afirmou.

 

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