Tratado com Israel rompe atraso do Mercosul em fechar acordos
da Efe, em Montevidéu
O TLC (Tratado de Livre Comércio) assinado hoje entre o Mercosul e Israel não é somente o primeiro com um país de fora da América Latina, mas representa ainda o fim de anos sem avanços substanciais do bloco em suas negociações externas.
O Mercosul --fundado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e com a Venezuela em processo de adesão-- não fechava um tratado desde 2004, quando assinou o Acordo de Preferência Comercial com a Índia --que ainda não entrou em vigor por falta de ratificação parlamentar.
"O acordo com Israel tem um caráter comercial importante, principalmente porque pode abrir portas para novas possibilidades de tratados, como o de hoje com outras regiões", disse o ministro de Relações Exteriores uruguaio, Reinaldo Gargano.
O tratado era negociado desde dezembro de 2005, quando o Mercosul e Israel assinaram um acordo inicial para buscar um pacto de liberalização de seus comércios.
O acordo cobre 90% do comércio, com um calendário de redução tarifária progressiva em quatro fases (imediata, em quatro, em oito e em dez anos).
O volume de negócios entre estes parceiros pode parecer pouco se for levado em conta que as exportações do Mercosul fecharão 2007 em US$ 217 bilhões e Israel venderá US$ 47 bilhões ao exterior este ano.
No entanto, a balança comercial entre os dois mostra um dinamismo crescente e o bloco conhece as oportunidades que são abertas para conseguir maior acesso a um mercado com alto poder aquisitivo como o israelense, com um PIB (Produto Interno Bruto) nominal per capita de US$ 22 mil e importações anuais de US$ 48 bilhões.
Israel ainda concentra seu comércio em mercados com os quais tem acordos (União Européia, Estados Unidos, Turquia, México, Canadá, Jordânia e Egito).
Segundo dados do Escritório Central de Estatísticas israelense, nos primeiros dez meses do ano os membros do Mercosul exportaram a Israel US$ 460,2 milhões, um aumento de 22% ao ano, e importaram US$ 653 milhões do país, 40% a mais que em 2006.
Os principais produtos que o bloco exporta a Israel são grãos e cereais, bens de capital e calçados, enquanto os israelenses vendem agroquímicos, softwares e produtos tecnológicos.
Do total de negócios com o Mercosul, 70% são feitos com o Brasil, que exportou US$ 238 milhões ao país asiático e importou US$ 540 milhões.
Mesmo com valores menores, Argentina, Paraguai e Uruguai têm saldos positivos na balança comercial com Israel.
O acordo fechado hoje não inclui a Venezuela, que está em processo para ingressar ao Mercosul como membro pleno.
Assim que a Venezuela entrar no bloco, o país terá 270 dias para analisar o tratado e o Mercosul deverá consultar Israel sobre a possibilidade de negociar a incorporação venezuelana ao TLC.
A decisão sobre o assunto ainda é incerta, devido à aproximação política do governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, com o Irã.
Nos primeiros dez meses de 2007, a Venezuela exportou US$ 3,9 milhões a Israel, com uma queda de 51%, e importou US$ 43,5 milhões de Israel, uma alta de 23,5%.
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