Economia deve crescer mais de 5% em 2007, diz Lula
GABRIELA GUERREIRO
VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que, ainda que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresente inicialmente um índice de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) abaixo de 5%, o índice deverá passar de 5% após atualização.
"Eu tenho certeza que se o IBGE der menos de 5% [de crescimento da economia neste ano], na atualização vai passar para mais de 5%", afirmou.
Para 2008, Lula disse ter "certeza de que [a economia] vai crescer mais um pouquinho". "Pode ser 5,5%, 6% ou 6,5%. O que eu posso garantir ao povo brasileiro é que em 2008 [o crescimento] vai ser maior que neste ano e em 2009, vai ser maior que em 2008."
O presidente disse ainda que o único assunto relacionado a economia que o preocupa neste fim de ano é a crise de crédito nos EUA --em particular os problemas relacionados às hipotecas do segmento "subprime" (de maior risco).
"A única coisa que me deixa de antena ligada neste fim de ano é o tal 'subprime' americano, que ainda não atravessou o Atlântico, mas que começou em um banco de desenvolvimento e hoje atinge bancos importantes como o Deutsche Bank e o Citibank."
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, irão ficar de sobreaviso diariamente neste fim, disse Lula, atentos aos desenvolvimentos da crise nos EUA --cujo tamanho ninguém sabe qual é, disse Lula.
O presidente afirmou que "todos os PACs vão sair do papel" porque "assumiu o compromisso" com o país. Mantega disse, em entrevista à Folha, que o governo poderia ser obrigado a fazer cortes em programas sociais e investimentos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para compensar a perda na arrecadação com o fim da CPMF.
No domingo (16), o presidente Lula desmentiu o ministro e disse que não serão feitos cortes nos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e em programas sociais, como declarou o ministro em entrevista à Folha.
Lula disse ainda que o PAC da Saúde (que previa R$ 24 bilhões adicionais à saúde até 2011, com origem na arrecadação estimada da contribuição no período) está "travado por causa do fim da CPMF" --o Senado rejeitou a prorrogação da cobrança do tributo na semana passada. O governo precisava de pelo menos 49 favoráveis à emenda constitucional, mas apenas 45 senadores votaram a favor da medida e 34 contra.
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