Dinheiro
20/12/2007 - 15h50

Bear Stearns tem primeiro prejuízo trimestral com crise de crédito

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da Folha Online

O banco de investimentos Bear Stearns registrou seu primeiro prejuízo trimestral, de US$ 854 milhões (de US$ 6,90 por ação), no trimestre encerrado no dia 30 de novembro, contra um lucro líquido de US$ 563 milhões um ano antes. O prejuízo ocorreu devido à redução de US$ 1,9 bilhão em seus ativos ligados ao setor imobiliário --em particular as hipotecas.

Para o resultado do ano fiscal encerrado no mês passado, o banco registrou um lucro de US$ 233 milhões, contra US$ 2,1 bilhões no ano fiscal de 2006.

"Estamos obviamente desapontados com nossos resultados em 2007", disse o presidente e executivo-chefe do banco, James Cayne. "Estamos adotando medidas para posicionar o Bear Stearns para voltar à lucratividade em 2008, focalizando nossos recursos nos negócios com potencial de crescimento diante do atual ambiente."

O banco havia anunciado no início de novembro uma previsão de redução de US$ 1,2 bilhão no valor dos investimentos ligados ao segmento de créditos de risco.

A receita líquida obtida com operações nos mercados de capitais --que inclui as divisões de investidores institucionais, de renda fixa e do banco de investimentos-- teve um resultado negativo de US$ 956 milhões no quarto trimestre, contra uma receita líquida de US$ 1,9 bilhão no mesmo período de 2006.

Para o ano como um todo, o banco teve uma receita líquida de US$ 3,9 bilhões, contra US$ 7,3 bilhões um ano antes --uma perda de 46%.

Ontem o Morgan Stanley --segundo maior banco de investimentos dos EUA-- anunciou um prejuízo trimestral, depois de registrar uma redução de US$ 9,4 bilhões em seus investimentos com a exposição a créditos problemáticos.

O banco teve um prejuízo de US$ 3,61 bilhões no quarto trimestre fiscal --encerrado no dia 30 de novembro--, contra um lucro de US$ 2,27 bilhões um ano antes. Com as reduções nos investimentos expostos a créditos de risco, a receita líquida do banco também foi afetada, com um resultado negativo em US$ 450 milhões, contra US$ 7,75 bilhões um ano antes.

No mês passado, o Morgan havia informado que as perdas com créditos de risco (chamados de "subprime") chegariam a US$ 3,7 bilhões.

Reduções em investimentos ligados a créditos de risco --em particular os relacionados a hipotecas de risco, que estão na raiz da atual crise financeira nos EUA e em outros mercados financeiros do mundo-- já provocaram a saída dos executivos-chefe do Citigroup, Charles Prince, e do Merrill Lynch, Stan O'Neal.

 

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