Bancos seguram juros enquanto taxa Selic cai, aponta Procon
da Folha Online
As taxas de juros cobradas pelos bancos neste ano não acompanharam os cortes feitos pelo Banco Central na Selic, a taxa básica de juros, segundo levantamento da Fundação Procon-SP.
A Selic, que iniciou 2007 em 13,25% ao ano, caiu dois pontos percentuais em seis reduções definidas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) ao longo do ano.
"É inegável a influência dos movimentos da taxa básica de juros na definição das taxas finais cobradas pelas instituições financeiras. No entanto, observa-se que o juro bancário vem recuando menos que a Selic", aponta estudo comparativo anual da entidade.
A taxa média do empréstimo pessoal foi de 5,32% ao mês, indicando um decréscimo de 0,04 ponto percentual em relação à taxa média de 2006, que era de 5,36% ao mês. Ao longo deste ano, a modalidade teve variação negativa de 0,57% entre os bancos pesquisados --5,30% ao mês em janeiro ante 5,27% em dezembro.
Segundo pesquisa do Procon-SP, o banco que apresentou a maior taxa média anual de empréstimo pessoal foi o Real, com 6,18% ao mês, e a Nossa Caixa, com a menor, aos 4,25% ao mês -- uma diferença de 1,93 pontos percentuais (variação de 45,41% entre a menor e a maior).
No cheque especial, a taxa média foi de 8,24% ao mês, acréscimo de 0,04 ponto percentual em relação à taxa média de 2006, que era de 8,20% ao mês. Essa modalidade iniciou o ano com taxa média de 8,15%, em janeiro, e finalizou com 8,21% ao mês, em dezembro, em variação positiva de 0,74%.
O banco que apresentou a maior taxa média anual de cheque especial foi o Banco Safra, com 9,29% ao mês. A Caixa Econômica Federal foi a que praticou a menor, com 7,20% ao mês. A diferença entre as duas instituições financeiras é de 2,09 pontos percentuais --variação de 29,03% entre a menor e a maior.
Influência
"O custo do dinheiro para os bancos e financeiras, cujo balizador é a projeção dos juros futuros, deixou de ser o fator de maior peso na composição da taxa na ponta, cedendo lugar a outros fatores." Entre eles, os técnicos do Procon apontam o custo das restrições monetárias (depósitos compulsórios), os custos operacionais, a carga tributária e a inadimplência.
"Não podemos esquecer, contudo, que o lucro também é um fator de peso na composição das taxas de juros e que os bancos brasileiros continuam a registrar rentabilidade elevada e excelente margem de lucro", pondera o Procon.
Incorporação
O levantamento anual utilizou informações de dez instituições financeiras: Banco do Brasil, Banespa, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Banco Itaú, Nossa Caixa, Banco Real, Santander e Unibanco (entre janeiro e fevereiro). Segundo o Procon-SP, com a incorporação do Banespa pelo Santander, a partir de março, a coleta dos dois bancos foi unificada e o Banco Safra passou a integrar a amostra.
A metodologia adotada considera as taxas máximas pré-fixadas para clientes não preferenciais, sendo que para o cheque especial é considerado o período de trinta dias e para o empréstimo pessoal, prazo contratual de 12 meses.
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