BC vê risco de inflação alta no Brasil e crescimento mundial baixo
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
Embora espere que a inflação fique dentro da meta, o Banco Central está atento para os fatores de risco que podem fazer os preços saírem de controle. Entre eles, um baixo crescimento da economia mundial e as incertezas em relação à trajetória da inflação no país.
"Esse cenário contempla o arrefecimento moderado do ritmo de expansão da economia global, do lado externo, acompanhado de aceleração dos preços e continuidade do ciclo de expansão da economia brasileira, do lado doméstico, com riscos inflacionários em elevação", revela o "Relatório de Inflação", divulgado nesta quinta-feira pelo BC.
Para este ano, a projeção de inflação foi elevada de 4% para 4,3% e, para 2008, de 4,2% para 4,3%. Essa previsão está dentro da meta, que é um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.
Esse cenário, chamado de cenário de referência, leva em conta a manutenção da taxa Selic em 11,25% ao ano pelos próximos 12 meses e o dólar cotado a R$ 1,80.
Já no cenário de mercado, que aponta os dados da pesquisa feita semanalmente pelo BC com analistas financeiros, a previsão de inflação para este ano foi revista de 3,9% para 4,3%. Para 2008, foi mantida em 4,3%.
Na avaliação do BC, o cenário externo está menos favorável do que no último relatório, divulgado em setembro. Além disso, a incerteza também é maior, principalmente em relação à economia norte-americana.
"Em que pese o desempenho robusto da economia americana no terceiro trimestre, acumularam-se evidências de que o aperto endógeno das condições de crédito pode ser mais acentuado e mais prolongado, por conseguinte, com impacto potencial sobre a atividade econômica mais forte do que se antecipava."
Nos fatores internos que contribuem para a inflação, o BC destacou os impulsos fiscais, como os programas de transferência de renda e as incertezas em relação às defasagens das reduções na taxa de juros já ocorridas e o seu efeito na economia.
"Em linha com a avaliação feita pelo Copom [Comitê de Política Monetária] em documentos anteriores, tornam-se crescentes as incertezas em relação à dinâmica futura da inflação, associadas à intensidade e às defasagens com que opera o mecanismo de transmissão da política monetária, especialmente se considerarmos que são cumulativos os efeitos do processo de flexibilização monetária iniciado em 2005', avalia o relatório.
O BC também divulgou no "Relatório de Inflação" as projeções de inflação para 2009. O BC espera que ela continue abaixo do centro da meta, em 4,2%. Já o mercado espera um IPCA de 4,9%.
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