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Dinheiro
28/12/2007 - 07h30

Bolsa de Tóquio amarga perdas de mais de 10% neste ano

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JUAN PALOP
da Efe, em Tóquio
com Folha Online

A Bolsa de Valores de Tóquio (Japão) encerrou nesta sexta-feira um ano com perdas acima de 10%, devido à crise creditícia global, à desvalorização do dólar e à queda do consumo nos Estados Unidos.

O Nikkei, principal índice do pregão, caiu 11,13%, para 15.307,78 pontos, contra 17.225,83 do fim de 2006. O Topix, que havia fechado 2006 em 1.681,07, baixou 12,21%, até 1.475,68.

Por trás desses números está a explosão da crise imobiliária americana, em agosto. O terremoto no mercado financeiro cortou pela raiz a tendência de alta que predominava até aquele momento na maior bolsa da Ásia, a segunda maior do mundo, depois de Nova York.

No começo do ano, os analistas esbanjavam otimismo e previam que a Bolsa de Tóquio fecharia o ano acima dos 19 mil pontos, retomando o nível do início de 1997. Mas a crise originada pela falta de pagamentos das hipotecas de alto risco nos EUA contaminou a economia real, reduzindo o consumo e forçando a queda do dólar.

Toyota

Assim, as grandes empresas japonesas, cujo crescimento vinha dependendo das exportações, foram afetadas nos últimos meses do ano pela queda do mercado americano e de sua renda em dólares. A Toyota, que vende um de cada três de seus carros nos EUA, perdeu 24% de seu valor em bolsa, seu pior resultado anual desde 2000.

O dólar, que no início de 2007 estava cotado a 119 ienes, hoje vale 113. A cotação, entre setembro e novembro, chegou a 109 ienes por dólar.

A situação em Tóquio contrasta especialmente com os resultados de outras praças em 2007. A Bolsa de Nova York, por exemplo, vai fechar o ano em alta. O seu índice Dow Jones subiu cerca de 7% sobre o fechamento de 2006.

Além disso, a maioria dos mercados de valores dos países da região Ásia-Pacífico, todos com os Estados Unidos como maior importador, viveram momentos de euforia. A maior alta foi a do índice geral da Bolsa de Xangai, que ganhou mais de 80%. O índice Sensex, de Mumbai, subiu 45%; o Hang Seng, de Hong Kong, 44%; e o Straits Times, de Cingapura, 17%.

Perspectivas

Além disso, as perspectivas macroeconômicas para o próximo ano não são muito otimistas. A Bolsa de Tóquio pode afundar ainda mais. Alguns analistas chegam a prever que o Japão esteja a caminho de uma recessão, se a situação nos Estados Unidos piorar, como apontou recentemente o banco de investimentos Morgan Stanley.

Os últimos dados estatísticos, publicados hoje pelo governo japonês, mostram que o consumo doméstico, o principal motor da economia, caiu 0,6% em novembro, em termos anualizados. A produção industrial baixou 1,6%.

Já o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,4% em novembro. Foi a sua maior alta em uma década. Mas a inflação não se deveu a uma revitalização da economia interna, e sim ao aumento dos preços do petróleo e aos aumentos de preços na China.

Quem deu uma dose de otimismo foi o cientista japonês Kenichiro Mogi, especializado no estudo do cérebro. Hoje, no fechamento do último pregão deste ano, ele insistiu que o futuro não é totalmente previsível. O importante é "manter um coração alegre", aconselhou.

Outras Bolsas

As demais Bolsas de Valores asiáticas também não escaparam incólumes à comoção mundial com a tragédia do Paquistão. O índice Shanghai Composite, do pregão chinês, cedeu 0,89%, para os 5.261 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng retraiu 1,7% e alcançou os 27.370 pontos. E na Coréia do Sul, o Seoul Composite teve perdas de 0,6%, para 1.897 pontos.

 

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