Dinheiro
28/12/2007 - 19h57

Bolsa lidera ranking de rentabilidade; poupança tem menor retorno em 10 anos

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O mercado acionário foi, de longe, o investimento de maior retorno em 2007. O Ibovespa teve variação de 43,65% no acumulado deste ano. Esse índice serve de referência para a maioria dos fundos de ações disponíveis no varejo bancário.

Logo abaixo no ranking de investimentos mais rentáveis, os fundos de investimentos do tipo DI/Renda fixa tiveram os melhores retornos neste ano. Os fundos do tipo DI acumularam retorno médio de 11,63% no ano, segundo cálculo da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Já os fundos do tipo Renda Fixa registraram retorno médio de 12,07% neste ano. A estimativa leva em conta dados desses fundos atualizados até o dia 24.

Uma aplicação bem menos popular, a commodity ouro, teve retorno de 11,26% em 2007, tendo como referência a cotação do metal conforme o contrato negociado na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).

Já o investimento mais acessível do país, a caderneta de poupança, teve a sua menor rentabilidade dos últimos dez anos, conforme levantamento da consultoria Economática. No acumulado deste ano, a poupança tem retorno de 7,77%.

Aplicações referenciadas ao dólar foram as piores deste ano. A taxa de câmbio desvalorizou 16,88% no acumulado de 2007.

A inflação do período foi de 7,75%, se medida pelo IGP-M, que embute preços do varejo, atacado e da construção civil. Pelo IPCA-15, a inflação de 2007 foi de 4,36%. Esse índice reflete o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos.

Dezembro

O ranking mensal de investimentos mostra ainda a superioridade da Bolsa de Valores: o Ibovespa valorizou 1,40% no mês.

Os fundos do tipo DI tiveram retorno médio de 0,67%, enquanto os fundos Renda Fixa registraram rentabilidade de 0,72%, segundo cálculo da Anbid. Já a caderneta de poupança propiciou retorno de 0,56% no mês.

A taxa de câmbio recuou 0,95% no mês de dezembro, enquanto a commodity ouro (contrato BM&F) sofreu queda de 3,70% no mesmo período.

Em dezembro, a inflação medida pelo IGP-M foi de 1,76%. Pelo IPCA-15, foi de 0,70%.

Perspectivas

Corretoras projetam um patamar para o Ibovespa entre 80.000 e 85.000 pontos para o final de 2008. Hoje, o principal índice de ações marcou 63.886 pontos.

A Votorantim Asset Management, que projeta alvo de 80.000 pontos, lista as premissas: "maior crescimento dos lucros [das empresas listadas na Bolsa], melhores preços de commodities, continuidade da expansão do crédito interno, estabilidade da taxa de câmbio e queda na taxa de juros".

Os riscos do cenário continuam basicamente os mesmos do último semestre de 2007: a economia dos EUA, às voltas com os efeitos da crise dos "subprime" (hipotecas de alto risco), as dúvidas sobre o crescimento da China, e uma possível alta da inflação mundial.

"O ano de 2008 será muito difícil para a América Latina, em nossa opinião. Os principais desafios devem surgir de um ambiente externo menos favorável e da inflação constrangendo a política monetária, no quadro doméstico", avalia a equipe de especialistas em mercados emergentes do banco americano Merrill Lynch.

Os analistas ainda não vêem com bons olhos aplicações em dólar: "para os próximos meses, as pressões de alta do dólar devem seguir balanceadas pelos resultados positivos provenientes da balança comercial e dos investimentos estrangeiros", avalia a Votorantim Asset.

Há mais dúvidas sobre aplicações em juros (fundos DI/Renda Fixa). Apesar de economistas contarem com uma queda da taxa Selic em 2008, há alguma preocupação com pressões inflacionárias.

 

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