Ano bate recorde de novas importadoras
LUCIANA OTONI
da Folha de S.Paulo
Embaladas pelo dólar barato e a perspectiva de aumento nos ganhos com o crescimento da economia, 4.241 novas empresas substituíram fornecedores domésticos por estrangeiros, engrossando as estatísticas das importações entre janeiro e novembro deste ano.
Trata-se do maior movimento de ingresso de novos negócios nas operações de comércio exterior em um único ano, desempenho que elevou para 28.021 o número de empresas que compram, no exterior, matérias-primas, equipamentos e produtos industrializados.
Juntas, essas empresas foram responsáveis por US$ 110 bilhões em importações, cifra 30% maior em comparação ao período de janeiro e novembro do ano passado. Os dados constam de um levantamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento a pedido da Folha e mostram implicações nas fábricas, no balcão das lojas, passando pela mesa das famílias, controle da inflação e os cofres da Receita Federal.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, afirma que o ambiente favorável às compras no exterior provocou diferentes arranjos empresariais.
No universo das 4.241 novas importadoras, há dezenas de indústrias e estabelecimentos do comércio atacadista e varejista que, com o suporte do real forte e consumo interno mais dinâmico, decidiram abandonar as tradings, eliminando custos e partindo para iniciativas próprias.
Novas operações
Um outro grupo de grandes e médias empresas, favorecidas pela expansão do PIB (Produto Interno Bruto), decidiu abrir firmas exclusivamente para realizar operações de comércio exterior.
Há, também, o grupo de empresas que criaram negócios específicos para dar visibilidade à marca dos produtos que importam e, ainda, negócios que deixaram de fazer importações nos anos anteriores e que começam a voltar ao mercado internacional.
Os fabricantes de autopeças refletem essas situações e figuram entre os segmentos que registram os maiores volumes de aquisições no exterior.
O elevado número de veículos vendidos no Brasil, o enfraquecimento do dólar e a oferta de fornecedores estrangeiros, particularmente asiáticos, levaram os empresários desse segmento a elevar em 33% as importações de peças de veículos de passeio e carga. De janeiro a outubro, essas aquisições somaram US$ 7,6 bilhões.
A tendência é que 2008 mantenha o ritmo. Fernando Ribeiro, economista da Funcex (Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior), lembra que em 1998, último ano do real artificialmente forte na primeira fase do plano de estabilização econômica, o comércio exterior brasileiro chegou a contar com 38 mil importadoras, número que declinou com as crises internacionais e a desvalorização da moeda nacional.
"Como a taxa de câmbio está barata e, principalmente, porque a expectativa é que permaneça assim, a tendência é ampliar o número de importadores. Se houvesse risco de mudança, não teríamos tantas empresas decidindo comprar fora do país".
Esse movimento repercutiu nos cofres do governo. A receita com a cobrança do Imposto de Importação cresceu 18% de janeiro a novembro, totalizando R$ 11,4 bilhões.
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