Dinheiro
02/01/2008 - 19h16

Oposição critica compensação da CPMF e promete dificultar orçamento

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A oposição reagiu com críticas nesta quarta-feira às medidas compensatórias anunciadas pelo governo em decorrência do fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Representantes do DEM, do PSDB e do PSOL disseram que o governo rompeu o acordo ao aumentar impostos e prometem dificultar as negociações em torno da proposta do Orçamento Geral da União de 2008.

"Agora está comprovado: é um governo sem palavra e de pessoas mentirosas", afirmou o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). "Nós fizemos um acordo para aprovar a DRU [Desvinculação das Receitas Líquidas da União] que era de não haver aumento de impostos e eles [os governistas] descumpriram", disse.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que o compromisso do governo de não elevar impostos para compensar o fim da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) valia apenas para 2007.

Maia afirmou que: "Daqui para frente, primeiro, eles [o governo] cumprem o acordo e depois nós fazemos a nossa parte. O que houve é que esticaram a corda".

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Netto (AM), disse que com a decisão anunciada hoje as negociações entre oposição e governo "ficarão bem mais difíceis". Segundo ele, as primeiras conseqüências serão percebidas nas discussões sobre a proposta orçamentária para este ano.

"Aqui, no Amazonas, tem um ditado que diz 'é esperar a volta do anzol'. Vamos ver o que eles [os governistas] vão querer nos propor logo, logo. É óbvio que isso vai provocar percalços", disse o tucano.

O líder do PSOL no Senado, José Nery (PA), disse que o governo deveria ter se esforçado mais e evitado o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operação Financeiro) e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido).

"Havia outras alternativas, como a diminuição do pagamento da dívida pública, além da redução de gastos e despesas", afirmou Nery. "Pessoalmente, acho que para evitar aumento de impostos, o governo poderia ter negociado manter a CPMF por mais um ano até encontrar uma solução adequada."

 

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