Feijão sobe quase 150% e lidera alta de preços em 2007, diz Fipe
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A inflação azedou o feijão no prato do brasileiro em 2007. O preço do produto subiu 149,50% no ano e liderou a relação dos itens com as maiores variações no IPC (Índice de Preço ao Consumidor), medido pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em São Paulo. O produto também foi o que mais contribuiu para a expansão do IPC, de 4,38% em 2007, representando 10,02% do índice (0,43 ponto percentual).
Entre as maiores altas absolutas, as 20 primeiras posições são de itens de alimentação. Atrás de feijão, estão abacate, com variação de 127,21%, seguido por leite em pó (43,77%), limão (41,30%) e batata (40,30%).
O grupo Alimentação registrou aceleração de 12,73% no acumulado do ano, quase três vezes mais que o índice geral. Foi disparado o grupo com a maior variação positiva e, com Saúde (alta de 5,72%), a ter variação superior ao IPC geral.
"A inflação de Alimentação em 2007 foi a maior desde 2002, de 18,46%. De 2003 a 2006, a variação sempre foi abaixo do índice e favorável à contenção da inflação. Em 2007, se reverteu e ajudou a elevar a inflação", disse o coordenador da pesquisa da Fipe, Márcio Nakane.
Se os itens de alimentação não tivessem sofrido reajuste ao longo de 2007, o IPC teria encerrado o ano com alta de 1,62% (2,76 pontos percentuais a menos que o IPC registrado), segundo Nakane.
Desaceleração
"A boa notícia é que, aparentemente, Alimentação fechou o ano em desaceleração. Veio forte em dezembro, com inflação de 2,02%. Ainda representou a maior variação e a maior contribuição, de 55,6% de todo o índice em dezembro. O pico em dezembro ocorreu na terceira quadrissemana do mês, de 2,44%, e depois desacelerou", disse Nakane.
A tendência, segundo ele, é que a pressão sobre o preço do feijão também fique para trás. Em dezembro, por exemplo, o produto variou 42,34% em dezembro (a maior alta no mês desde maio de 1998, de 62,72%). Segundo o indicador de ponta, das duas últimas prévias da Fipe para dezembro (não na média mensal), o feijão já desacelerou, de 50,4% para 38,4%.
Outras duas vedetes da mesa do brasileiro e da expansão do IPC em 2007, a carne bovina e o leite também estão diminuindo o ritmo de alta dos preços. Esses itens acumularam elevação, ao longo do ano passado, de 18,88% e 16,42%, respectivamente.
"Os alimentos vão continuar com variação positiva em 2008, mas menos forte que no ano passado. Não vai ser tão grave quanto em 2007 nem tão favorável quanto em 2006 [alta de 0,06% no acumulado do ano]", disse Nakane. O preço dos grãos (trigo, milho e soja) no mercado internacional deve ser um fator de pressão inflacionária neste ano, com impacto em outros itens de alimentação, como frango e carne suína, segundo Nakane.
Janeiro
Para este mês, Nakane já prevê desaceleração para o grupo Alimentação, para 1,50% --ante variação positiva de 1,75% em novembro e 2,02% em dezembro do ano passado. O IPC geral também deverá ser menor em janeiro (0,67%) em relação a dezembro (0,82%).
Para o IPC do ano, Nakane diz ter "um palpite, não uma projeção", de 4%. "A inflação em 2008 vai ser fundamentalmente determinado pelo o que o Banco Central vai fazer para manter os juros ao longo do ano", avalia Nakane.
Ele diz ser "pouco provável" um corte na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), e "mais provável" a manutenção da taxa, hoje em 11,25% ao ano. "Uma elevação é possível mais para a frente", avalia. "Considerando a meta de inflação do BC de 4,5% para o IPCA, o cenário não é preocupante, tampouco chamaria de tranqüilo. Mas 4,5% de meta é factível para o BC", conclui.
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