Dinheiro
07/01/2008 - 14h42

Secretário do Tesouro dos EUA diz não haver "solução simples" para crise

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da Folha Online

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse nesta segunda-feira que a administração do presidente americano, George W. Bush, vem trabalhando em uma série de medidas para combater a crise imobiliária no país, mas afirmou não haver "solução simples para o problema".

"Ao prevenir despejos evitáveis, iremos preservar vizinhanças e comunidades e cumprir com nossa responsabilidade de proteger a economia dos EUA", disse Paulson. "No entanto, vou ser claro: não há uma solução única ou simples que possa desfazer os excessos dos últimos anos."

O secretário disse que o país enfrenta uma onda "sem precedentes" de 1,8 milhão de hipotecas de risco (chamadas de "subprime") que estão para ter suas taxas de juros reajustadas em níveis muito altos nos próximos dois anos.

Ele disse que isso cria a possibilidade de um colapso do mercado e foi o motivo para que o governo chegasse a um acordo com o setor de hipotecas para congelar as taxas dessas hipotecas por cinco anos para que o mercado imobiliário pudesse se recuperar.

O plano do governo, divulgado no mês passado, não vai estar disponível, por exemplo, para quem tem mais de uma casa, para pessoas que estão com seus pagamentos atrasados por mais de 30 dias e só vai valer para hipotecas que foram tomadas entre 1º de janeiro de 2005 e 30 de julho deste ano e que devem ser reajustadas no ano que vem e em 2009.

Paulson disse também que uma correção na atual situação do mercado imobiliário é "inevitável e necessária" após o "boom" do setor nos cinco anos até 2006, período em que os preços dos imóveis atingiram níveis recorde.

"Após anos de altas insustentáveis nos preços e práticas de concessão de crédito frouxas, uma correção no mercado imobiliário é inevitável e necessária", afirmou.

A crise imobiliária, que deu origem à crise no segmento de hipotecas de risco e acabou por se espalhar para outros setores dos mercados de crédito, já dá sinais de que começa a corroer a economia: em dezembro, a economia americana criou apenas 18 mil empregos. Alguns dos principais bancos americanos, como o Citigroup, o Merril Lynch, o Morgan Stanley e o Bear Stearns tiveram de reduzir os valores de seus ativos ligados às hipotecas "subprime".

Para o secretário do Tesouro, no entanto, essas desvalorizações nos ativos dos bancos mostram que o sistema bancário está funcionando.

"À medida em que os mercados se reavaliam, não devemos ficar surpresos ou desapontados em ver as instituições financeiras reduzir valores de ativos e reforçando seus balanços", disse. "Isso é a disciplina do mercado em ação e deve aumentar a confiança do mercado com o passar do tempo."

Recessão

Na sexta-feira (4) o presidente Bush disse que "não pode dar como garantida" a possibilidade de seu país registrar crescimento econômico, depois de o aumento do desemprego em dezembro ter reavivado temores de recessão.

"Nossa economia tem bases sólidas, mas não pode dar como garantido o crescimento econômico", disse Bush.

Os indicadores americanos vêm indicando a perda de fôlego da economia do país --o mais recente foi divulgado também na sexta: foram criados apenas 18 mil empregos, contra uma expectativa de 70 mil, e a taxa de desemprego subiu para 5%.

A criação de empregos mostrou o resultado mais fraco desde agosto de 2003, ainda refletindo os efeitos da recessão de 2001. Já taxa de desemprego foi a maior desde novembro de 2005, quando a economia ainda refletia os efeitos do furacão Katrina, que atingiu o sul dos EUA naquele ano.

Na semana passada o Federal Reserve (Fed, o BC americano) divulgou a ata da reunião de política monetária realizada no mês passado, quando reduziu sua taxa de juros pela terceira vez consecutiva, para 4,25% ao ano. no documento o banco informou estar preocupado com a desaquecimento da economia e que pode voltar a reduzir os juros, caso seja necessário.

"A economia deve crescer a um ritmo sensivelmente inferior a seu potencial em 2008", diz o documento. Para o Fed, a crise dos créditos "subprime" pode resultar "mais grave e mais prolongada do que parecia em outubro".

A economia dos EUA cresceu 4,9% no terceiro trimestre de 2007, mas, para o resultado do quarto trimestre, a expectativa é de uma expansão de 1,5% ou menos --a primeira estimativa para o período deve ser divulgada no próximo dia 30.

 

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