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Dinheiro
08/01/2008 - 08h30

Fundos de investimentos captam R$ 44,7 bi em 2007

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FABRICIO VIEIRA
da Folha de S.Paulo

O ano de 2007 voltou a ser marcado pela entrada expressiva de dinheiro nos fundos de investimentos. Mesmo com os saques pesados registrados em dezembro, a captação líquida do mercado de fundos no ano totalizou R$ 44,77 bilhões.

Com isso, o patrimônio dos fundos domésticos encerrou o ano em R$ 1,106 trilhão --contra R$ 909,35 bilhões de 2006, alta de 21,6%. Os dados são da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).

O mês de dezembro foi, de longe, o mais fraco do ano, com captação negativa de R$ 21,49 bilhões. Isso demonstra que, apesar de o 13º salário ter injetado mais de R$ 60 bilhões na economia, segundo estimativas, poupar não foi o principal destino do dinheiro extra no mês, como em dezembro de 2006, quando saques nos fundos também superaram as aplicações --em R$ 7,32 bilhões.

Ao menos os fundos de previdência privada se beneficiaram desse montante extra de recursos. Essa categoria captou líquidos R$ 2,27 bilhões no último mês do ano, sendo o principal destaque do período. Quem aplicou em um plano de previdência privada até o dia 28 de dezembro poderá se beneficiar das regras tributárias e pagar menos IR (Imposto de Renda) na declaração de 2008.

"De um modo geral, entendo que o brasileiro ainda tem uma tendência mais forte de assumir uma prestação do que economizar e guardar dinheiro. Ainda é mais adepto do consumo do que da poupança", avalia o administrador de investimentos Fábio Colombo.

Um dos destaques de 2007 foram os fundos de ações. A valorização da Bovespa atraiu um volume considerável de recursos para o setor. A categoria encerrou o ano com captação líquida de R$ 18,29 bilhões.

A Bovespa encerrou 2007 com valorização de 43,65%. Os fundos de renda fixa, que seguem os juros, deram retorno médio próximo de 12%. A poupança rendeu 7,70% no ano.

Só os fundos multimercados tiveram maior captação que os fundos acionários. Esse segmento, no qual os gestores podem montar as carteiras com diferentes ativos, como ações, câmbio e papéis que pagam juros, captou R$ 26,84 bilhões. Mas o rendimento médio de 11,7% foi modesto perto do desempenho da Bovespa.

Já os fundos atrelados a juros tiveram fortes perdas de recursos. Os DI foram os que mais sofreram, com saques de R$ 16,33 bilhões. A renda fixa --maior categoria do mercado, com 30% do patrimônio total dos fundos-- teve captação negativa de R$ 7,46 bilhões.

Um dos inibidores da expansão do mercado de fundos foi a retomada do interesse pela poupança. O processo de queda da taxa básica de juros afetou a rentabilidade de muitas aplicações, especialmente os fundos DI e de renda fixa -que carregam títulos públicos e privados que pagam juros. Como, ao invés dos fundos, não há cobrança de IR e taxa de administração na poupança, seu retorno líquido tornou-se atraente aliado ao alto grau de segurança.

O BC aponta que a poupança deve ter encerrado 2007 com captação superior a R$ 30 bilhões --a melhor desde 1994.

 

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