Dinheiro
08/01/2008 - 10h52

Mesmo com escândalos, exportação de brinquedos chineses cresce

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MARGA ZAMBRANA
da Efe, em Pequim

Mais uma vez os Reis Magos chegaram do Oriente, mas de um oriente muito distante, da China, a julgar pelos números da exportação de brinquedos referentes aos dez primeiros meses de 2007 que, mesmo com os escândalos envolvendo a toxicidade dos produtos, aumentaram.

Nos últimos anos, a China se transformou na fábrica dos sonhos infantis, com 60% da produção mundial de brinquedos (22 bilhões de unidades em 2006) concentradas em suas manufaturas cantonesas (sul do país).

Este ano o sonho virou pesadelo, com níveis de chumbo venenosos encontrados em acessórios para bonecas Barbie e substâncias alucinógenas no brinquedo Aqua Dots. No entanto, os motores da locomotiva chinesa não pararam.

Entre janeiro e outubro de 2007, a China exportou cerca de US$ 7 bilhões (4,792 bilhões de euros) em brinquedos, um aumento de 20,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ao longo de 2007 a multinacional Mattel Inc. retirou das prateleiras mais de 21 milhões de brinquedos fabricados na China, alegando níveis tóxicos de chumbo na pintura, o que fez com que estes e outros produtos chineses ficassem retidos nas alfândegas do mundo inteiro.

Pequim iniciou então uma campanha para recuperar sua imagem, revisou uma a uma suas fábricas produtoras de brinquedos e retirou formas por defeitos mínimos para chegar à conclusão de que a quantidade de produtos nocivos era ínfima.

A companhia americana se desculpou com a China em setembro, após reconhecer que 85% das retiradas foram por "defeitos de desenho" da Mattel e não por substâncias tóxicas.

Fontes da alfândega chinesa disseram à agência de notícias "Xinhua" que o aumento da exportação de brinquedos até outubro foi 13,9 pontos percentuais superior ao mesmo período de 2006, "apesar do fato de os produtos 'made in China' terem sido mais ou menos difamados por algumas retiradas."

O principal comprador destes brinquedos foram os Estados Unidos, que adquiriu cerca de US$ 3 bilhões nos dez primeiros meses do ano, um aumento de 13,3%.

Washington foi também o país que mais denunciou a toxicidade dos brinquedos e de outros bens fabricados na China, produtos de baixo custo que, segundo a equipe do presidente George W. Bush, está custando milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos e fazendo disparar seu déficit comercial com o gigante asiático.

O déficit comercial dos EUA com a China poderia chegar ao recorde de US$ 250 bilhões este ano, segundo previsões de Washington.

A UE (União Européia), que embora menos agressiva em sua atitude também reteve e retirou produtos chineses das lojas, foi o segundo destinatário destes brinquedos entre janeiro e outubro, com um valor de exportação de US$ 1,720 bilhão, um aumento de 29,9%.

Juntos, os mercados americano e europeu absorveram, segundo estes dados, 67,6% do total de exportações de brinquedos chineses.

Mas a região que registrou um maior aumento de compras de brinquedos chineses foi a América Latina, de 42,2%, chegando aos US$ 390 milhões até outubro.

"Em 2007 o 'made in China' experimentou uma crise de perda de confiança sem precedentes, disparada pelas retiradas da Mattel, dos EUA, e seguido de outros incidentes com pasta de dente e alimentos", informou hoje a "Xinhua".

"As razões não foram somente por qualidade, por trás delas há disputas sobre padrões, barreiras técnicas, protecionismo e exagero dos veículos de comunicação", acrescentou.

Embora os analistas tenham dito que os escândalos não afetariam as exportações chinesas pelo fato de os pedidos serem feitos meses antes do Natal, os produtores de brinquedos chineses tiveram que enfrentar outros problemas, como a alta dos preços das matérias-primas e do petróleo.

 

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