EUA devem cortar mais impostos e juros para evitar recessão, diz economista
da Folha Online
Os EUA provavelmente serão afetados por uma recessão neste ano, mas, para evitar que isso ocorra, o governo americano deve promover uma nova rodada de cortes de impostos e de taxas de juros. A avaliação é do economista de Harvard Martin Feldstein.
"O que está claro é que, mesmo se a economia não entrar em uma recessão em ampla escala, este será um ano lento", disse Feldstein ao site CNNMoney. Para ele, a economia poderia se beneficiar, no caso de uma recessão, de uma isenção fiscal de US$ 300 por contribuinte, como a que foi aprovada no governo Bush em 2001.
"Se vamos entrar no território do PIB [Produto Interno Bruto] negativo, eu gostaria mesmo de ver mais que isso", afirmou, acrescentando que esse seria um bom primeiro passo --o próximo passo podem ser novos cortes de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano), se a economia começar a registrar aumentos no desemprego. No ano passado o Fed cortou sua taxa de juros em setembro, outubro e dezembro; a taxa atualmente está em 4,25% ao ano.
"Ainda não está claro se taxas de juros menores e a política monetária em geral poderiam ter força suficiente, devido às condições do mercado de crédito", disse, questionado se o Fed poderia evitar uma recessão. "Deveríamos ter algum estímulo fiscal como apoio."
Feldstein também é presidente do NBER (National Bureau of Economic Research), um dos principais institutos de economia dos EUA e responsável por avaliar quando o país está oficialmente em recessão ou não e quando esta acabou.
Na semana passada, antes da divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA em dezembro (que mostraram a criação de apenas 18 mil empregos e a elevação da taxa de desemprego para 5%), Feldstein estimava o risco de uma recessão em 50%. Ele não ofereceu uma nova percentagem, dizendo que o risco dependerá do que o Fed, o Executivo e o Congresso fizerem para combater a crise de crédito no país.
Ontem, o presidente George W. Bush disse que é importante não haver aumentos de impostos e pediu que os cortes por ele implementados sejam tornados permanentes --os cortes devem expirar com o fim de seu mandato, no início de 2009.
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse também ontem que o governo vem trabalhando em uma série de medidas para combater a crise imobiliária no país, mas afirmou não haver "solução simples para o problema". "Vou ser claro: não há uma solução única ou simples que possa desfazer os excessos dos últimos anos", disse Paulson.
Feldstein disse que a NBER em geral aguarda ao menos seis meses após a entrada do país em uma recessão para marcar a reunião em que estabelecem a data de início do declínio, e que o instituto ainda não tem nenhum plano de convocar tal reunião.
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