Dinheiro
26/11/2001 - 19h44

Rio de Janeiro terá de poupar mais, diz professor da UFRJ

PEDRO SOARES
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Não houve, no Estado do Rio, um abrandamento da meta de racionamento de energia com as mudanças anunciadas na semana passada pelo governo, mas sim um agravamento: tanto nas cidades turísticas quanto nas não-turísticas, a economia de energia terá de ser superior a 20%.

Tanto a opinião quanto o cálculo são do vice-diretor da Coppe/ UFRJ (Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Luiz Pinguelli Rosa.

Por ter baseado a meta nos meses de inverno (maio, junho e julho) e devido ao aumento do consumo no verão, Pinguelli afirmou que o Rio vai chegar "a um corte brutal" no consumo.

Essa redução, segundo ele, será de 27% nas cidades não turísticas do Estado do Rio, nas quais a meta foi reduzida pelo governo de 20% para 12%. No Rio, cuja meta é de 7%, a retração no consumo terá de ser de 23%. "Essas novas metas são, no mínimo, uma propaganda enganosa do governo", disse Pinguelli.

Pela suas características climáticas (calor e umidade altos), a cidade do Rio _que tem a maior rede de ar-condicionado do país, segundo ele_ é punida com a medida do governo de basear a cota em meses frios. No inverno, o consumo no Rio cai 30%.

A pior situação é a do consumidor residencial de classe média. Segundo Pinguelli, esse consumidor aumenta em 80% seu gasto com energia no verão.

O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio, Wagner Victer, disse que o Rio foi discriminado, mas acredita que o governo vai voltar. "Estamos preparando duas ações contra o governo: uma por abuso de poder, que está sendo avaliada pelo Ministério Público, e outra de defesa do consumidor."

Pinguelli atacou ainda a decisão do governo de aumentar por dois ou três anos as tarifas para compensar as perdas que as distribuidoras tiveram com o racionamento.

O diretor da Coppe afirmou que as distribuidoras de energia não devem ser poupadas, pois têm sua parcela de responsabilidade na crise. Segundo ele, elas poderiam ter investido na ampliação de sua geração própria de energia, o que não fizeram.
 

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