Alimentos devem aliviar peso na inflação em 2008, estima FGV
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A aceleração dos preços verificada nos últimos meses, principalmente dos alimentos, deverá perder força em janeiro. A estimativa foi feita pelo economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas) André Braz, que avaliou existir uma tendência de altas menores mediante os últimos índices pela entidade.
A inflação medida pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna) subiu 1,47% em dezembro, acima da variação de novembro, de 1,05%, informou nesta terça-feira a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Trata-se da maior taxa desde março de 2003, quando o indicador foi de 1,66%. A inflação no ano medida pelo índice terminou em 7,89%, ante taxa de 3,79% registrada em 2006.
Ele explicou que o IGP-10 de dezembro ficou em 1,59%, indo a 1,76% nos dez dias seguintes e fechando em 1,47% no final de dezembro. "Há três meses havia uma contínua aceleração. Ela está perdendo força, não há espaço para grandes aumentos", afirmou.
Ao comentar a alta do IGP-DI de 2007, Braz disse que a maior pressão veio dos alimentos. Apesar disso, ele não vislumbra um cenário parecido neste ano. Segundo o economista, a oferta está se adequando à demanda, e a perspectiva de alta da safra é positiva.
"Vivenciamos preços muito elevados em 2007. O feijão, por exemplo, não vai manter este patamar tão elevado. Há uma gordura que pode ser cortada nos produtos agrícolas", disse Braz.
O economista também descartou a possibilidade de volta da inflação em níveis mais elevados. Segundo ele, o núcleo do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) --um dos três formadores do IGP-DI--, que avalia o cenário de forma mais generalizada, vem se mantendo estável desde setembro, apesar da alta dos alimentos. No ano, o núcleo do IPC subiu 3,29%
No geral, o IPC, que subiu 4,6% no ano, teve como principal influência o item Alimentação,cujos preços aumentaram 10,65%. Dentro da categoria, as maiores altas foram do feijão carioquinha (128,48%) e da batata inglesa (69,93%). Também subiram dentro do IPC os itens Saúde e Cuidados Pessoais (4,18%), Educação (3,94%), Habitação (1,97%), Transportes (1,35%).
Os produtos agropecuários foram responsáveis por 40% do IGP-DI de 2007. Dentro do IPA (Índice de Preços do Atacado), exerceram influência de 65%. A soja foi o principal fator para a alta do IPA, com alta de 41,61% no ano.
Apesar de ter tido o maior aumento no atacado (98,77%), o feijão foi o quinto produto mais influente dentro do IPA. Antes dele vieram o milho em grão (50,7%), carne bovina (36,37%) e óleos combustíveis (33,27%).
Por outro lado, contribuíram para segurar o IPA a cana, que teve deflação de 32,4%, o açúcar cristal (-34,26%) e o zinco (-47,26%).
No INCC, que subiu 6,15% no ano, a maior pressão for exercida pelo cimento, que teve alta de 18,24% em 2007. Foi a maior elevação do produto desde 2002, quando subiu 26,92%.
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