Investimentos diretos estrangeiros devem diminuir em 2008, diz Unctad
da Folha Online
O nível global de investimentos diretos estrangeiros em 2008 deve registrar uma desaceleração em relação ao ano passado (quando atingiu recorde) devido à atual situação de crise financeira mundial e às pressões inflacionárias. As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira pela Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, na sigla em inglês).
Os fluxos desse tipo de investimentos somaram US$ 1,538 trilhão no ano passado, batendo o recorde anterior de US$ 1,4 trilhão em 2000.
Com o risco de uma recessão nos EUA (e as possíveis conseqüências de seu impacto na economia global), a expectativa para este ano é de uma desaceleração no ritmo desses investimentos.
"A continuidade dos desequilíbrios externos, as fortes flutuações das taxas de câmbio, a elevação das taxas de juros e o aumento das pressões inflacionárias, bem como os preços altos e voláteis das commodities colocam riscos que podem ter um efeito redutor nos fluxos globais dos investimentos diretos estrangeiros", informou a Unctad.
Em 2007, no entanto, os lucros elevados das empresas e a "abundância" de liquidez ajudou a impulsionar o valor das fusões e aquisições corporativas entre países --o que responde por parte considerável dos investimentos, destaca o documento do órgão da ONU (Organização das Nações Unidas).
"A crise financeira e de crédito iniciada no segundo semestre não afetou o volume geral dos fluxos de investimentos diretos estrangeiros", informou a Unctad --que lembrou ainda que, apesar das preocupações com a desvalorização do dólar diante de outras moedas fortes, como o euro, os investimentos nos EUA na verdade cresceram, principalmente por parte de países europeus e asiáticos.
Os fluxos de investimentos para a América Latina e a África atingiram recordes no ano passado, com influxos de US$ 126 bilhões e US$ 36 bilhões respectivamente, devido à expansão significativa da demanda mundial por commodities.
Os EUA mantiveram-se à frente como destino de investimentos diretos estrangeiros, com US$ 193 bilhões ingressando no país no ano passado. O resultado representa, no entanto, um crescimento de apenas 10% em relação ao ano imediatamente anterior. A China, por sua vez, recebeu US$ 67,3 bilhões em investimentos --3,1% a menos em em 2006.
Já a Rússia recebeu US$ 48,9 bilhões em 2007, um crescimento de 70,3% em relação a 2006.
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