Crédito para casa própria com recurso da poupança deve somar R$ 25 bi
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
Os financiamentos para a casa própria feitos com recursos da poupança poderão chegar aos R$ 25 bilhões neste ano. A avaliação é da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), que viu dobrar as concessões desses empréstimos no ano passado.
"No crédito imobiliário, os astros finalmente se alinharam", afirmou José Pereira Gonçalves, superintendente da associação.
Segundo ele, o financiamento imobiliário com esses recursos irá ultrapassar os R$ 18 bilhões em 2007, praticamente o dobro do registrado em 2006 (R$ 9,340 bilhões). Para 2008, a expectativa é que fique entre R$ 23 bilhões e R$ 25 bilhões.
Gonçalves atribui esse crescimento à estabilidade econômica e ao aumento de renda da população. Com mais renda, mais pessoas têm acesso ao crédito e, por outro lado, aumenta a capacidade de poupança. Além disso, ele lembrou que desde 2004 as regras para o financiamento imobiliário ficaram mais claras.
Na avaliação do superintendente da Abecip, essas condições permitiram empréstimos a uma taxa de juros menor e com prazos mais longos. O valor financiado médio em 2007 ficou em R$ 90 mil.
Um estudo da Abecip mostra que em 2002 era necessário ganhar no mínimo 12 salário mínimos para ter acesso a um empréstimo de R$ 80 mil com prazo de 120 meses e taxa de juros de 12% ao. Hoje, para financiar esse mesmo valor, com prazo de 300 meses e taxa de juros entre 9% e 10%, a renda pode ficar entre sete e oito salários mínimos.
Na avaliação de Gonçalves, o crescimento tem ocorrido em todas as faixas de renda. Ele lembrou ainda que os interessados em comprar a casa própria contam com os recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviços).
Os programas habitacionais do FGTS irão somar R$ 10,6 bilhões em 2008, sendo R$ 8,4 bilhões para o programa de habitação popular (renda familiar de até R$ 4.900) e R$ 1,2 bilhão em subsídios para famílias de baixa renda (renda de até cinco salários mínimos). Além disso, foi criado um programa voltado para o cotista do fundo, que terá R$ 1 bilhão e taxa de juros um pouco menor.
Poupança
A queda nas taxas de juros e o aumento da renda fizeram com que as cadernetas de poupança registrassem um recorde histórico em 2007. Os depósitos superaram as retiradas em mais de R$ 33 bilhões. Com isso, o investimento mais tradicional do país registrou 16 meses consecutivos de captação positiva.
No ano passado, a diferença entre depósitos e retiradas --que é a chamada captação líquida-- foi de R$ 33,379 bilhões, mais de cinco vezes o volume registrado em 2006 (R$ 6,472 bilhões).
Esse valor é o maior da série do Banco Central, iniciada em 1995. O recorde anterior era de 1997, quando a captação ficou positiva em R$ 13,189 bilhões.
Os depósitos em cadernetas de poupança incluem os recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e da poupança rural. O SBPE é uma das principais fontes de financiamento para a compra da casa própria.
Em 2007, a captação do SBPE ficou em R$ 26,469 bilhões, um crescimento de 435,9% na comparação com 2006.
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