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Dinheiro
08/01/2008 - 20h53

PIB é um instrumento inadequado porque não mede bem-estar, diz Stiglitz

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da France Presse, em Washington

"Os instrumentos atuais de medida do crescimento só compensam os governos que aumentam a produção material e não o bem-estar", afirmou o economista americano e Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, que foi convidado nesta terça-feira pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, a formar um grupo de estudos sobre este tema.

"Há muito tempo existe entre os economistas um forte sentimento de que o Produto Interno Bruto (PIB) não é um bom instrumento de medida", declarou em entrevista à France Presse.

"O PIB não mede adequadamente as mudanças que afetam o bem-estar, nem permite comparar corretamente o bem-estar nos diferentes países", acrescentou.

"Quando um dirigente político tenta maximizar o PIB, e como o PIB não é um bom instrumento de medida, está tentando maximizar algo inadequado e até pode ser contraproducente", continuou.

Stiglitz, atualmente professor da Universidade de Columbia, em Nova York, confirmou nesta terça-feira que, a pedido de Sarkozy, presidirá uma comissão de estudo sobre os instrumentos de medida do crescimento.

A idéia do pedido confiado ao acadêmico americano de 64 anos, conhecido por sua franqueza e suas posições contra a globalização, é criar uma comissão para estudar como medir o bem-estar.

Stiglitz contará com o apoio de outro prêmio Nobel, o economista indiano Amartya Sena, que participará destes trabalhos que começarão "muito em breve e terminarão dentro de um ano e meio ou dois".

"Com um pouco de sorte, este estudo terá conseqüências em todo o mundo", disse. "A construção de instrumentos de medidas complementares aos índices atuais exercerá um impacto sobre as estatísticas francesas, mas também sobre as estatísticas de outros países", acrescentou.

"Há discussões sobre a possibilidade de outros países participarem e ampliarem o trabalho", contou.

Para Stiglitz, na realidade, o debate é mundial e tornou-se particularmente urgente devido aos problemas causados pelo aquecimento do planeta. "Isso nos obriga a repensar as coisas", comentou.

"Os instrumentos tradicionais de medição do PIB não levam em conta a degradação do meio ambiente, nem o desaparecimento dos recursos naturais", ressaltou.

"Pelo contrário, o aumento do PIB pode dissimular a degradação violenta do bem-estar da população", advertiu.

"Isto é particularmente verdadeiro nos Estados Unidos, onde o PIB tem aumentado, mas na realidade um grande número de pessoas não tem a impressão de viver melhor, pelo contrário", exemplificou o economista.

 

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