Custo de vida em São Paulo sobe mais para os pobres em 2007
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O custo de vida no município de São Paulo acumulou alta de 4,8% em 2007, a maior desde 2004, quando foi de 7,7%, segundo cálculo divulgado nesta quarta-feira pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Em dezembro, a taxa foi de 1,9%, a maior expansão desde julho de 2004 (1,21%).
Segundo o Dieese, em 2007, a elevação foi mais acentuada para as famílias mais pobres (renda média de R$ 377,49 em dezembro), cuja taxa foi de 5,55%. Para aquelas com nível intermediário de rendimento (R$ 934,17), o ICV (Índice de Custo de Vida) subiu 4,93%, enquanto para aquelas com maior poder aquisitivo (R$ 2.792,90 de renda média) a taxa ficou em 4,55%.
A alta dos preços dos alimentos foi a principal responsável pela elevação do ICV no ano passado. Ao longo de 2007 o grupo alimentação subiu 12,48%, com uma contribuição de 3,15 pontos percentuais na taxa geral.
"O aumento mais expressivo ocorreu para os produtos "in natura" e semi elaborados, com alta de 20,03% no ano. Já a indústria alimentícia não subiu tanto, com alta de 7,01%. Na alimentação fora do domicílio, a variação foi semelhante, de 7,54%", diz a coordenadora da Pesquisa de Preços do Dieese, Cornélia Nogueira Porto.
Os demais grupos responderam por apenas 1,65 ponto percentual na inflação no ano. De dez categorias acompanhadas pelo Dieese, oito apresentaram elevação de preços em 2007, com destaques para Educação e Leitura (alta de 6,27%), Despesas Pessoais (com elevação de 6,11%) e Saúde (alta de 3,4%). Os dois grupos que registraram deflação foram Equipamento Doméstico (-1,97) e Vestuário (-2,12%).
Dezembro
Para a coordenadora da pesquisa do Dieese, o repique da inflação foi forte em dezembro do ano passado, provocado pela alta dos alimentos, transporte e despesas pessoais. A taxa de variação do custo de vida, de 1,09%, em dezembro foi a maior dos últimos 41 meses (desde julho de 2004).
O grupo Alimentação (expansão de 2,68%) contou com a alta dos preços dos produtos "in natura" e semi-elaborados (4,47%) e, mais especialmente, do feijão, que subiu 33,97% no mês.
Em Transportes, a inflação foi de 1,27% em dezembro, com pressão maior dos preços dos combustíveis (alta de 3,26%), e, em especial, do álcool (14,6%), já que a gasolina subiu apenas 0,39%.
O grupo Despesas Pessoais registrou alta de 2,40% em dezembro, com destaque para a variação do preço do cigarro, de 5,64%. "Este produto já havia sido reajustado em junho, o que resultou em alta de 10,25% no acumulado do ano", acrescenta Cornélia.
No grupo Equipamento Doméstico, houve deflação em dezembro, de 0,59%, com queda nos preços dos eletrodomésticos (-0,9%) e móveis (-0,79%) e pequenas variações positivas em utensílios (0,51%) e rouparia (0,42%).
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