Bernanke admite necessidade de novos cortes nos juros do Fed
da Folha Online
Atualizado às 16h22
O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse nesta quinta-feira que o banco está "pronto" para realizar um novo corte (o quarto consecutivo) em sua taxa de juros, a fim de evitar que a crise imobiliária e de crédito nos EUA leve o país a uma recessão.
"Estamos prontos para tomar uma ação adicional substancial para apoiar o crescimento e oferecer garantia adequada contra os riscos de baixa", disse Bernanke, em um evento em Washington.
O Fed cortou a taxa nas três últimas reuniões de política monetária do ano passado --em setembro (corte de 0,50 ponto percentual), outubro (0,25 ponto percentual) e dezembro (0,25 ponto percentual). A primeira reunião deste ano está programada para os dias 29 e 30 deste mês.
A taxa atual de juros do banco está em 4,25% ao ano.
"O cenário para 2008 piorou e os riscos de baixa ao crescimento se tornaram mais evidentes", disse Bernanke. "À luz das recentes mudanças no panorama (...) mais afrouxamento da política [monetária] pode bem ser necessário."
Ele destacou as preocupações com a inflação, devido aos rápidos aumentos nos preços de alimentos e energia. Embora as expectativas do público sobre a inflação tenham ficado "razoavelmente bem ancoradas", qualquer tendência das expectativas de inflação para saírem do controle podem "complicar muito" a tarefa do banco, de manter a estabilidade de preços no país.
As ameaças à economia americana se multiplicaram, disse Bernanke. "Notadamente, a demanda no mercado imobiliário se enfraqueceu mais, em parte refletindo os problemas em curso nos mercados de hipotecas. Além disso, um certpo mero de fatores, como preços altos do petróleo e desvalorização dos imóveis residenciais, devem pesar sobre os gastos do consumidor ao longo de 2008."
Os cortes, no entanto, não conseguiram dar o devido estímulo para uma recuperação do nível de gastos do consumidor, que foi baixo em dezembro --pelo menos no que diz respeito às compras em lojas de departamentos e redes varejistas: nomes como Limited Brands (empresa que controla a cadeia de lojas Victoria's Secret) e Macy's apresentaram resultados fracos --queda de 8% e de 7,9% nas vendas no mês passado, respectivamente.
Outro dado que mostrou que a economia americana já sente os efeitos da crise de crédito --que vinha afetando mais o setor financeiro-- foi o número de empregos criados no país no mês passado, 18 mil --resultado mais fraco desde agosto de 2003, ainda refletindo os efeitos da recessão de 2001. Já taxa de desemprego (5%) foi a maior desde novembro de 2005, quando a economia ainda refletia os efeitos do furacão Katrina, que atingiu o sul dos EUA naquele ano.
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