Governo acionará usinas a óleo no Sul e Sudeste para compensar falta de chuva
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O governo federal irá acionar usinas termelétricas movidas a óleo combustível no Sudeste e no Sul para compensar a falta de chuvas, que vem diminuindo o nível dos reservatórios das hidrelétricas.
De acordo com o ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, o CNSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) decidiu nesta quinta-feira acionar usinas que terão capacidade de gerar 800 MW (megawatts).
Serão inicialmente cinco usinas no Sudeste e uma no Nordeste. Hubner disse ainda que está em estudo a utilização de novas usinas a óleo, que poderá elevar a capacidade para 1200 MW.
"Estamos estudando todos os gargalos em termo de logística e todas as restrições para eliminá-las para, se houver necessidade, podermos disponibilizar (novas térmicas)".
Além disso, o governo conta com novos 1 mil MW que serão produzidos por termelétricas do Rio de Janeiro a partir de meados de fevereiro. Essas usinas o gás que é explorado no Espírito Santo e será transportado pelo gasoduto Cabiúnas (RJ) Vitória (ES), que será concluído no próximo mês. A partir do fim do semestre, será inaugurada ainda uma planta para regaseificar o GNL (Gás Natural Liquefeito) que será importado e poderá ser usado pelas térmicas.
Apagão
Depois da reunião de hoje, Hubner voltou a descartar o risco de apagão energético em 2008.
"Não se falou na possibilidade de racionamento. Nossa posição é sempre de adequar a nossa oferta, mantendo sempre a visão de que 2009 também seja adequadamente atendido", reiterou.
O ministro descartou também um racionamento do gás natural. Ele ressaltou que o direcionamento do gás que hoje é usado em indústrias e carros, por exemplo, para as térmicas só seria feito em último caso.
"Se fugir de todos os prognósticos, obviamente teremos que avaliar a substituição do gás natural de outros usos", afirmou.
O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, frisou que a situação no setor neste ano é muito diferente da de 2001, quando o país passou por um apagão. De acordo com Tolmasquim, naquele ano não havia alternativas para aumentar a oferta, por isso tiveram que ser feitos cortes.
"Hoje felizmente não precisamos restringir o consumo da população brasileira. Com medidas de ofertas, com o parque existente, nos poderemos enfrentar o fato de termos chuvas piores", declarou.
Preço
De acordo com Hubner, apesar das usinas a óleo serem mais caras, o impacto para o consumidor será muito pequeno.
"A grande maioria das usinas não tem qualquer reflexo de preço, são contratos que já existem. Só algumas poucas usinas a óleo que não estão computada, mas praticamente não tem impacto na tarifa", declarou.
Apesar das negativas de Hubner, especialistas acreditam que o consumidor terá que enfrentar um racionamento de gás natural. Eles acreditam que, caso o volume de chuvas continue abaixo do esperado, a primeira medida a ser tomada pelo governo será direcionar o gás que está sendo hoje usado nas indústrias e nos carros para o setor elétrico. Assim, as termelétricas poderiam gerar mais energia elétrica.
"Se essa conjuntura continuar, pode ser bastante provável que haja um racionamento de gás. O gás será disputado pela indústria, pelos carros e pelas termelétricas e não há suficiente para atender a todos", afirma a diretora-executiva da ABCE (Associação Brasileira das Concessionárias de Energia Elétrica), Silvia Calou.
Para o presidente da Abrage (Associação Brasileira de Empresas Geradoras de Energia Elétrica), Flávio Neiva, é improvável que ocorra um racionamento de energia até o fim do ano. Ele disse, porém, que no caso do gás o 'cobertor é curto' e pode acontecer um corte para a indústria e para os automóveis.
"É fundamental que as chuvas retornem ou [o governo] vai ter que cortar o gás de alguns setores para redirecionar para o setor elétrico. Os carros, por exemplo, têm de onde tirar, vai na bomba de gasolina e enche o tanque. O setor elétrico não", ressaltou.
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