Dinheiro
10/01/2008 - 19h33

Acusado de sonegar espera revogação de prisão para voltar ao Brasil

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da Folha Online

O suíço Marc Henri Dizerens, um dos acusados de envolvimento em esquema que causou sonegação fiscal de cerca de R$ 1 bilhão em um ano e meio, espera a revogação do pedido de sua prisão para retornar ao Brasil. A explicação foi dada à Folha Online pelo advogado dele, Alberto Iván Zakidalski.

A prisão de Dizerens e outras 29 pessoas foi decretada na chamada Operação Kaspar 2 --entre os denunciados estão doleiros, gerentes de bancos suíços e empresários. Na época da operação deflagrada pela PF (Polícia Federal), porém, Dizerens estava na Suíça e passou a ser considerado foragido.

A defesa de Dizerens, porém, explica que ele estava na Suíça muitos dias antes da operação e que a viagem, feita anualmente para visitar parentes, foi informada às autoridades antes de acontecer. No entanto, com os fatos acontecidos, Dizerens teme voltar ao país e não conseguir espaço para prestar os devidos esclarecimentos.

"Ele adquiriu em 3.9.07 passagem promocional para 18.10.07. Ou seja, previu sua viagem com 45 dias de antecedência. Impossível dizer que 'se evadiu da ação policial', pois ele não podia prever a operação da Polícia Federal, que sempre foi sigilosa", explica a defesa.

A previsão é que o pedido de revogação seja protocolado na próxima semana.

No documento, enviado à Folha Online, Zakidalski explicará ao juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo que "o objetivo da prisão preventiva perdeu validade, cabe agora que o requerente [Dizerens] se apresente para, com a cabeça erguida e sem temor do cerceamento de sua liberdade, possa prestar contas à Justiça".

"A finalidade da medida acautelatória era garantir se que a prova fosse preservada e que o patrimônio fosse bloqueado. Tal finalidade foi alcançada com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão de bens e coisas", afirma a defesa.

Segundo a denúncia do Ministério Público, aceita na íntegra pela Justiça, os envolvidos na operação são acusados de fazer remessas ilegais de dólares para a Suíça, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e descaminho (crime imputado aos empresários que traziam ao Brasil mercadorias).

A investigação descobriu um esquema montado por gerentes de bancos suíços e doleiros brasileiros para enviar e receber dinheiro ilegal em contas na Suíça. O dinheiro era enviado através da operação de dólar-cabo --sem registro no BC, através de depósito em conta brasileira de doleiros que possuem contas no exterior para transferência ao destino final do dinheiro. Os valores ficavam em contas numeradas e codificadas, para as quais clientes brasileiros enviavam dinheiro sem origem.

Na justificativa para o pedido de soltura, o advogado lista os seguintes motivos: seu cliente tem residência fixa (é aposentado e mora na Bahia); é réu é primário; tem raízes familiares fortes, vive com filhos e mulher; faz compromisso formal e assinado de comparecer a todas as fases deste processo que demandarem sua presença; tem atividade lícita, ao contrário do afirmado --trabalha com venda de terrenos e tem aposentadoria do banco; e que não é funcionário do banco UBD há mais de dois anos.

 

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